quarta-feira, 28 de outubro de 2020

 


TEMPOS OBSCUROS


Tempos obscuros!
Hoje, muitos se acham experts
em pandemia,
elixires que curam,
vacinas,
política...

Nunca em tempo algum
houve tanta desinformação
e idiotice sendo partilhadas.
Que os lúcidos permaneçam imunes à ignorância e à escuridão, que se alastram feito vírus!

(MariasunMontañés)



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terça-feira, 27 de outubro de 2020



ESPERANÇA


Esperança também é espera.
A espera que crê e persevera.

Aquela que olha para o sol,
sabendo que devagarinho
ele atravessa o mundo, e que
- apesar das nuvens pesadas e escuras -
ele continua lá.

É a fé e a certeza na travessia,
na nossa evolução
e no existir.

(Mariasun Montañés)



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segunda-feira, 26 de outubro de 2020




ELOS DA VIDA


A sabedoria ensina a não ter pressa e
a observar com parcimônia o caminho.

Um caminho feito de pausas,
aprendizado e silêncio.

Silêncio onde os pequenos remansos da vida,
nutrem o espírito
e orientam a visão.

Visão que toca as pequenas
delicadezas da alma.

(Mariasun Montañés)



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domingo, 25 de outubro de 2020



O LEGADO DA VIDA


O que aprendemos com a vida?
Talvez que ela é mutante.

A criança a conhece pelos sentidos.
O jovem pela urgência dos desejos.

Aí vem o tempo e ensina
que não é preciso ter pressa,
que o importante é aceitar os erros,
enfrentá-la com menos dor e
amar com doçura.

(Mariasun Montañés)


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sábado, 24 de outubro de 2020



HOMENAGEM A JOÃO CABRAL DE MELO NETO


Segue o poema “Morte e Vida Severina”, de João Cabral de Melo, obra prima e universal. Fica como homenagem ao escritor e diplomata, que - nesta semana - foi criticado pelo obtuso ministro da Relações Exteriores, Ernesto Araújo. O chanceler referiu-se ao poeta como comunista e representante de um “Brasil sem patriotismo”. Como se o brilhantismo do poeta coubesse em um rótulo.
Basta ler a poesia para sentir a profundidade e brasileirismo de sua morte e vida severina, aliás, cada vez mais atual em solo pátrio, algo que alguém com a mente estreita e embotada jamais lerá e se chegar a ler jamais entenderá:

"- O meu nome é Severino,
como não tenho outro de pia.
Como há muitos Severinos,
que é santo de romaria,
deram então de me chamar
Severino de Maria
como há muitos Severinos
com mães chamadas Maria,
fiquei sendo o da Maria
do finado Zacarias.
Mais isso ainda diz pouco:
há muitos na freguesia,
por causa de um coronel
que se chamou Zacarias
e que foi o mais antigo
senhor desta sesmaria.
Como então dizer quem falo
ora a Vossas Senhorias?
Vejamos: é o Severino
da Maria do Zacarias,
lá da serra da Costela,
limites da Paraíba.
Mas isso ainda diz pouco:
se ao menos mais cinco havia
com nome de Severino
filhos de tantas Marias
mulheres de outros tantos,
já finados, Zacarias,
vivendo na mesma serra
magra e ossuda em que eu vivia.
Somos muitos Severinos
iguais em tudo na vida:
na mesma cabeça grande
que a custo é que se equilibra,
no mesmo ventre crescido
sobre as mesmas pernas finas
e iguais também porque o sangue,
que usamos tem pouca tinta.
E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida).
Somos muitos Severinos
iguais em tudo e na sina:
a de abrandar estas pedras
suando-se muito em cima,
a de tentar despertar
terra sempre mais extinta,
a de querer arrancar
alguns roçado da cinza.
Mas, para que me conheçam
melhor Vossas Senhorias
e melhor possam seguir
a história de minha vida,
passo a ser o Severino
que em vossa presença emigra".

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