terça-feira, 9 de julho de 2019







O QUE ESTÁ POR TRÁS DA REFORMA DA PREVIDÊNCIA?- PARTE 2





A má gestão da coisa pública ao longo de décadas, desvio do dinheiro da Previdência para outras finalidades, roubalheira de toda ordem, privilégios de políticos, benefícios do funcionalismo público, criaram o rombo nas contas do Governo. Um buraco negro maior que o recentemente descoberto no espaço, em 14 de abril, denominado de “monstro”... E, mais uma vez, Seu Francisco é chamado para pagar a conta.

Há algumas semanas, vimos estarrecidos uma fila de mais de 15 mil pessoas, em busca de emprego no centro de São Paulo. Os interessados por uma vaga começaram a chegar à noite, suportando o frio da madrugada e o sono, apenas para fazer um cadastro de emprego. Povo sofrido...

Enquanto isso, os políticos nem de longe sabem o que seja isso. Afinal, entre salários e outras benesses um deputado federal custa ao Seu Francisco e àquela gente que estava na fila do emprego em São Paulo, R$ 2,14 milhões por ano, isso mesmo: mais de 2 milhões ao ano!, R$ 179 mil por mês. Multiplicando-se esse valor pelos 513 deputados que ocupam assento, o custo - somente com a Câmara dos Deputados – é da ordem de R$ 91,8 milhões por mês, ou, R$ 1,1bilhão ao ano. Pergunta-se: Pra que 513 deputados?!? Pra ficarem batendo cabeça na Câmara?!? Claro está que o rombo nas contas públicas não é apenas da Previdência. Não avançaremos se não houver, urgente, uma Reforma Política, que reduza - inclusive - o número de Partidos e acabe com privilégios. 

Além dos vencimentos mensais, essa casta privilegiada recebe auxílio-alimentação, auxílio-viagem, cota postal, verba indenizatória, carro oficial, auxílio-paletó, seguro saúde, cartões corporativos, verba de gabinete para custear assessores, que não ganham menos de R$ 25 mil. Seu Francisco desconhece o que sejam todas essas benesses, muito embora, saiba o quanto lhe custem. Com um detalhe: um deputado, aos 60 anos de idade, pode se aposentar com o salário de deputado tendo apenas dois anos de mandato, ou, até mesmo, com apenas um ano no exercício do cargo, basta averbar outros mandatos, como o de vereador, bem como, contribuições ao INSS.

A Reforma da Previdência apresentada pelo Ministro da Economia, Paulo Guedes, propõe que os novos políticos... atente bem... os políticos que vierem, não os atuais, estarão sujeitos às mesmas regras do setor privado, com o teto de aposentadoria do INSS. Hoje, no entanto, sequer estarão sujeitos às regras de transição.

Claro está que as regras do Plano de Seguridade Social dos Congressistas são bem mais brandas e flexíveis que as apresentadas pela atual Reforma da Previdência e que os privilégios falarão mais alto no momento da votação dos Destaques à Reforma.

O mesmo ocorre quando se fala do funcionalismo público.

Seu Francisco, que sempre trabalhou na iniciativa privada, faz parte daquele grupo que sustenta o Estado e a economia do país. Ele é aquele que sempre paga a conta. Em contrapartida, há aqueles que são sustentados pelo Estado, os que pertencem à categoria dos servidores públicos. Estes somam aos seus vencimentos quinquênios, verbas de gabinete e se aposentam em média aos 59 anos, se forem policiais, a aposentadoria chegará com menos de 50 anos. Eles estão na esfera federal, estadual e municipal.

Pela Reforma que está em votação no Congresso, os trabalhadores da iniciativa privada, os Seus Franciscos, aqueles que sustentam o Estado, terão o direito à aposentadoria a partir dos 65 anos, e, à aposentadoria integral apenas e tão somente se houverem contribuído 40 anos para o sistema. Na postagem anterior, expus porque será impossível para muitos receberem 100% do benefício.

Há um desequilíbrio aí. Como é possível que alguns privilegiados por terem vínculo com o Estado possam se aposentar com aposentadoria integral 15 anos antes que o Seu Francisco ou 13 anos antes que uma cozinheira?!?

A resposta é simples. Os servidores públicos contam com o beneplácito e proteção da classe política, e, com sindicatos fortes. Não é por outra razão que o funcionalismo das esferas estadual e municipal foi excluído da Reforma da Previdência. Por enquanto, as regras para eles permanecem inalteradas.

Os políticos – deputados, Prefeitos e Governadores – mantêm com o funcionalismo público uma rede de favores e de autopreservação. É dessa parceria de antanho que se dão as nomeações e distribuição de funções em Secretarias e Câmaras, a indicação de parentes e amigos em cargos de comissão, a caça de votos em período eleitoral. Por isso, não haverem se empenhado junto às suas bancadas para a inclusão de Estados e Municípios na Reforma. A política do compadrio e o custo político falaram mais alto.

Mas, afinal, não se diz que a Reforma da Previdência se impõe para equilibrar as contas públicas, inclusive de Estados e Municípios?!?

Pois é... em números, a dívida dos Estados com a Previdência é de R$ 5,2 trilhões e com o Governo Federal e bancos de R$ 700 bilhões. Muitos Estados como o Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, dentre outros, estão falidos. No entanto, parecem não se importar. Se se importassem, fariam os ajustes necessários, privatizariam o que deve ser privatizado, diminuiriam o tamanho do Estado para fazer caixa.

Na incapacidade e falta de vontade para equilibrar as contas, os Estados repassam a fatura para a sociedade. Os Municípios transferem o rombo para os Estados, os Estados para a União, e, a União acaba repassando o prejuízo para o Seu Francisco. Nos cinco primeiros meses deste ano o Tesouro Nacional pagou quase R$ 3 bilhões em dívidas atrasadas de Estados e Municípios. Há anos tem sido assim.

Haja braços para o Seu Francisco sustentar esse gigante endividado!!!

Ora, não é preciso ser um especialista para concluir que a Reforma da Previdência, daria um alívio e respiro à dívida dos Estados.

Mas... aí vem o fator político, nada fácil de equacionar. Deputados, prefeitos e governadores não querem desagradar seus protegidos, fortes aliados e apoiadores: servidores públicos, professores, policiais militares... Afinal... o Seu Francisco sempre estará lá para sustentá-los e pagar a conta.

A continuar como a Proposta está na Câmara dos Deputados,
Estados e Municípios terão que fazer a sua própria Reforma. Torre de Babel será a melhor definição para isso, tanto jurídica quanto politicamente. 

E o que é pior: Jair Bolsonaro, também não quer arcar com o ônus de uma Reforma antipática, que requer o sacrifício de todos. Pelo contrário, o Presidente parece trabalhar contra o seu Ministro da Economia.

Antes dos debates sobre a Reforma iniciarem na Comissão de Constituição e Justiça, Bolsonaro disse a jornalistas, que a proposta poderia ser desidratada, “tirar gordurinha”, podendo chegar ao redor de R$ 800 milhões, enquanto Paulo Guedes e sua equipe econômica se debatiam e debatem por uma economia de R$ 1,2 trilhão, em dez anos.

Por seu turno, o Presidente foi pessoalmente ao Congresso Nacional entregar o Projeto de Lei com as novas regras de aposentadoria para os Militares, que aumenta a alíquota de contribuição e o tempo para ir pra reserva em cinco anos, porém, atrelado a ele apresentou um Plano de Reestruturação de Carreira, incluindo vários benefícios à categoria, como: adicional para militares que fizerem cursos de especialização e aperfeiçoamento, adicional de disponibilidade, ajuda de custo aos transferidos para a reserva, além de garantir aposentadoria integral e paridade dos benefícios, de modo que, os Militares inativos recebam o mesmo soldo e reajustes dos que estão na ativa.

E eis que, o que era para ser uma economia de R$ 97,3 bilhões em uma década, agora, com o custo da reestruturação de carreiras, estimado em R$ 87 bilhões, minguou para R$ 10 bilhões. É... Seu Francisco... nada como ter uma patente, não é mesmo?!?

Por óbvio que, categorias afins às Forças Armadas, como Policia Federal e Policia Militar, também querem as mesmas regalias concedidas aos Militares. É o corporativismo se impondo.

E foi na esteira desse corporativismo, que um dia após a aprovação da Reforma pela Comissão Especial da Câmara, Jair Bolsonaro disse a jornalistas haver erros a serem corrigidos no texto. Ele, como se lobista fosse, se referia ao fato de não ter sido dado tratamento especial e diferenciado aos policiais civis, federais e agentes penitenciários. Como se pode ver, o Presidente da República - enquanto mima os seus - também parece estar bastante confortável com o fato de que o Seu Francisco, continue pagando a conta sem desconto ou qualquer regalia.

Às vezes, as falas e atitudes de Jair Bolsonaro em relação à Reforma, seus ataques aos parlamentares e a Rodrigo Maia, o principal condutor da Reforma, sua omissão em compor uma base e em promover a articulação do próprio partido, o PSL, fazem crer que tudo seja calculado. É como se pouco se importasse com um eventual fracasso da Proposta, contanto que sua imagem de "mito" permaneça imaculada e a sua reeleição garantida para 2022, afinal de contas sempre poderá robustecer o discurso de "haver uma conspiração em curso contra o seu Governo". É um néscio, que em nada contribuiu até aqui para que as votações avançassem.

Aliás, para não dizer que ele nada fez pela Reforma, cabe destacar as promessas fiscais feitas à bancada evangélica, com a flexibilização da prestação de contas das Igrejas, e, haver acordado a liberação de Emendas Orçamentárias, com um lote extra para cada parlamentar equivalente a R$ 20 milhões, num total de R$ 3 bilhões, a ser destinado ao reduto eleitoral dos parlamentares. Apesar disso, há uma justificada desconfiança de que - após a votação - o Governo não cumpra o prometido. Afinal, ninguém duvida que Bolsonaro se recuse a cumprir o acertado lá na frente, alegando não haver dinheiro em caixa, e, para tanto, instigar a população contra os parlamentares em repúdio ao que ele denomina de política do "toma lá dá cá". Se for aprovada, sem ter tido qualquer mérito para isso, receberá os louros, e, se não for, jogará a responsabilidade no Congresso. É muito cômodo governar assim.




Shadow/Mariasun Montañés


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sábado, 30 de março de 2019




O QUE ESTÁ POR TRÁS DA REFORMA DA PREVIDÊNCIA? - PARTE 1



Seu Francisco é metalúrgico. Trabalha na Ford de São Bernardo do Campo há 31 anos. Ali começou sendo aprendiz do SENAI, assim como seu pai. Casou com Maria de Lurdes, a Lurdinha, que era secretária da gerência da mesma empresa, onde se conheceram. Escolheram como padrinhos o Lourival e a Rita, seus colegas de trabalho. Tiveram dois filhos, o Duda e a Luiza, que sonhavam um dia também trabalhar lá, assim como seus pais e o avô. O sonho não se realizará.

A Ford está fechando a fábrica do ABC paulista. A decisão foi tomada em razão dos altos custos para continuar operando. A montadora hoje emprega três mil funcionários, além de, criar inúmeros empregos indiretos na região entre fornecedores e fabricantes de carrocerias para caminhões.

Seu Francisco, amigos e colegas perderão o emprego. Em breve serão uma estatística dentre outros 13 milhões de desempregados no país. Hoje ele tem mais de 45 anos de idade. A oferta de emprego é pequena e vai afunilando com o passar do tempo. Ao contratar, as empresas preferem pessoas mais jovens. O futuro é incerto...

O governador de São Paulo, João Doria, está se empenhando em encontrar compradores para a fábrica, reduzindo a carga tributária para quem se interessar.

Não, o foco aqui não é a Ford. É o seu Francisco, assim como tantos outros Chicos, Chiquinhos e Chicões...

Seu Francisco faz parte daquele grupo de brasileiros, que desde cedo contribuem para a Previdência Social. A carteira assinada sempre foi esperança de uma aposentadoria e velhice tranquila lá na frente. O desemprego, no entanto, faz isso ficar cada vez mais distante. O que fazer para sobreviver?!?

A opção que alguns encontram é trabalhar no mercado informal para sustentar a família, pagar a prestação da casa e saldar as dívidas que se acumulam. Isso representa trabalhar sem garantia de continuidade, sem férias, sem décimo terceiro, sem contagem de tempo para a aposentadoria.

Seu Francisco, que acreditou em dias melhores após as últimas eleições, só vê a sua vida piorar.

De tanto o governo e economistas falarem que sem a Reforma da Previdência “o país vai falir!” “não haverá aposentadoria para ninguém!” “o cobertor está curto!”, ele e seus amigos passaram a apoiar a proposta com fé. A fé que tantas vezes o guiou e guia aos brasileiros. Uma fé que ele está perdendo...

O que houve?!? Simples: O Seu Francisco cansou!!!

Cansou de ser enganado por décadas de lulopetismo. Cansou do bolsonarismo, que mal começou e até agora mostrou estar mais preocupado com o “golden shower” do que em governar ou em aprovar a Reforma da Previdência.

Seu Francisco está horrorizado com o que vê e ouve do Chefe do Executivo e, com as “teorias conspiratórias" criadas por Olavo de Carvalho e os filhos inconsequentes de Jair Bolsonaro, que se julgam influencers de vontades e do poder.

Como também não concorda que, nos Estados Unidos, o Presidente tenha criticado os imigrantes, dizendo que eles são um mal para o país, ao invés de pleitear melhores condições e amparo aos brasileiros que estão lá. Que estadista faz isso? Não é demais lembrar que a população brasileira é formada por imigrantes. Por sinal, a família do Seu Francisco veio da Itália.

Se a Reforma da Previdência é tão importante para o governo, por que viajar neste momento para os Estados Unidos, Chile, Israel, ao invés do Presidente plantar-se aqui para unir a base no Congresso a fim de aprovar o quanto antes, aquilo que ele diz ser um dos pilares de sua governança? Essa é a pergunta que o Seu Francisco e os brasileiros se fazem. Afinal, priorizar necessidades é fundamental para garantir a ordem e fomentar o progresso.

Ao ouvir Jair Bolsonaro dizer, no Chile, que: “- Eu já fiz a minha parte. Agora é com o Legislativo”.

Opa opa opaaaa.... Deu um estalo no Seu Francisco: “- Bolsonaro está terceirizando o governo para os outros, mas o eleito foi ele!!!”. Em sua simplicidade, sabe que governar não é terceirizar o governo para Paulo Guedes, Sergio Moro e, as Reformas, para Rodrigo Maia.

“- Ele ainda não desceu do palanque. Pensa que está em campanha. Só quer saber de ser aplaudido e carregado em ombros. Isso não é certo!”, concluiu com pesar Seu Francisco.

Foi aí que parou pra pensar com mais vagar em tudo que lhe dizem e a se informar sobre a tal Reforma, o que todos nós deveríamos fazer.

Vejamos: A proposta apresentada pelo Ministro da Economia, Paulo Guedes, tal como está, prevê sacrifícios de todas as categorias laborais, para em dez anos atingir a redução de gastos da ordem de R$ 1,070 trilhão. Uau!!!

E é bom que seja mesmo para todas as categorias mesmo, viu Srs. parlamentares!!!

Afinal, como o Seu Francisco já entendeu, ele não é o responsável pelo colapso nas contas do governo, assim como os seus amigos também não o são. Os agentes que têm mais peso no rombo das contas públicas são o funcionalismo público, políticos, militares, os sonegadores e... a gastança desenfreada.

Ele, assim como os brasileiros com carteira assinada, sempre contribuiu para o sistema. Todos os meses o desconto em folha ali está, no seu holerite. Já se vão mais de 30 anos acordando cedo, indo para a fábrica em um transporte de péssima qualidade, cumprindo a jornada de trabalho e fazendo horas extras quando solicitado... voltando para casa no mesmo transporte e dormindo cedo para recomeçar no dia seguinte.

Neste sábado conversando com o seu compadre sobre a Reforma da Previdência, ele dizia:

- Compadre, você já percebeu que quando a Economia está em crise a primeira coisa que os políticos dizem é que o rombo está nos gastos com a Previdência? E os cartões corporativos dos políticos? E os benefícios? E o auxílio-moradia, auxílio paletó, auxílio viagens aéreas em primeira classe, assessores de toda ordem, verbas de gabinete? A gente não tem isso, não!!! E as maracutaias nos contratos públicos? E os sonegadores do INSS?

- É compadre... a verdade é que meteram a mão no que era a poupança pra nossa velhice. A gente contribuiu, todo mês durante anos e anos..., mas eles usaram o nosso dinheiro até pra pagar bolsa-família e aposentadoria de quem nunca trabalhou. Agora querem que a gente contribua por mais tempo e nunca chegue a se aposentar, morra antes pra não ter que nos pagar nada, respondeu o amigo.

Os compadres estão certos. Todo trabalhador com registro em carteira, contribui obrigatoriamente para a Previdência, a fim de que, chegada a velhice, ser recompensado com as contribuições que fez ao longo da vida, na forma de aposentadoria.

Não é correto, portanto, dizer que há déficit na Previdência Social. Ela é superavitária, até porque há mais pessoas em atividade, contribuindo compulsoriamente, do que aposentadas.

Alguns dirão que não é bem assim, porque as pessoas hoje vivem mais. Ocorre que, uma pessoa que entrou para o sistema aos 18 anos deixando seu quinhão, mês a mês, durante toda a vida laboral, aos 65 anos, terá contribuído por mais tempo do que viverá da aposentadoria. A matemática é precisa e desconhece ideologias e a política.

Por que o governo afirma, então, que há déficit na Previdência? Que ela é a responsável pelo rombo nas contas do país?

Ocorre que, ao longo dos anos, houve uma total falta de gerenciamento no caixa do governo, a começar pelo descontrole nos gastos públicos.

A Previdência integra o sistema da Seguridade Social, ao lado da Saúde e da Assistência Social. Por princípio, esse tripé tem seu próprio caixa. Assim é que, as contribuições dos trabalhadores ao INSS, têm destinação certa, aos menos deveriam ter, sendo que o que foi poupado ao longo de uma vida produtiva e laboral, é devolvido aos segurados na forma de benefícios.

No entanto, nos governos anteriores, houve desvio dos recursos da Previdência, sem o menor pudor.

Na construção de Brasília, hidrelétrica de Itaipu, ponte Rio-Niterói, conjuntos habitacionais, aposentadorias de trabalhadores rurais que nunca contribuíram, bolsas-família... a sua aposentadoria e a do Seu Francisco, o dinheiro da Previdência, foi parar lá! Houve desvio de finalidade, houve apropriação indébita de um dinheiro que já tinha dono: o trabalhador. Tudo errado!!!

Obras gigantescas têm que ser custeadas com recursos da União ou parcerias público-privadas. Assim como, bolsa-família, aposentadoria e benefícios a quem nunca contribuiu, tem que sair do caixa da Assistência Social, é para isso que ela existe, sua finalidade é dar assistência e atender aqueles que necessitam.

Exigir que um trabalhador para ter direito à aposentadoria integral tenha que contribuir por 49 anos, é desumano. Poucos conseguem. Até mesmo porque não há estabilidade para quem trabalha na iniciativa privada, como o funcionalismo público tem. Veja-se a situação dos funcionários da Ford. A fábrica fechando, todos serão demitidos. E mesmo que o Governador de São Paulo consiga levar outra empresa para operar na região, muitos ficarão na rua. Quando a pessoa está desempregada, deixa de contribuir. É por isso que muitos acabam se aposentando por idade com uma aposentadoria menor, aliás, nem isso.

Há trabalhadores pelo país afora exercendo suas funções em condições de alta periculosidade e insalubridade, é o caso dos mineiros, carvoeiros, petroquímicos, motoboys, cortadores de cana... muitos dos quais acabam se acidentando, adoecendo e morrendo antes da aposentaria chegar. Além do mais, para chegar aos 65 anos na ativa, como a Reforma propõe, não é fácil. Entre uma pessoa de 25 e outra com mais de 45 anos de idade para exercer o mesmo cargo, o mercado irá contratar a mais nova.

Preocupação que os funcionários públicos não têm e nem os políticos. Há políticos com duas, três e até quatro aposentadorias acumuladas, e, parlamentares aposentados com oito anos de mandato! A distribuição do dinheiro e os direitos são desiguais... e até injustos. Entenda-se: a aposentadoria deles não sai do caixa da Previdência. Eles têm um Regime Especial diferenciado e próprio, mas, não por isso, deixa de ter reflexos no orçamento do governo.

Quando se fala em Reforma da Previdência, uma coisa deve ficar bem clara: Os trabalhadores da iniciativa privada não são responsáveis pelo rombo no caixa do governo, muito embora estejam sempre "pagando o pato". No momento em que o Estado passa a cobrar sacrifício de todos, o corporativismo do Legislativo, Sindicatos, Judiciário sempre encontra uma maneira de garantir privilégios e, aqui, elenquem-se as excessivas vantagens e benefícios que a classe política garantiu e acumulou durante anos para si mesma.

Aliás, não há Reforma Previdenciária que se sustente, diante da falta de fiscalização das empresas sonegadoras e da ausência de uma política tributária que torne a atividade empresarial viável. Se houvesse incentivos fiscais, por exemplo, para as empresas que estão estabelecidas nos Estados e Municípios, elas não iriam embora da região.

No momento em que uma Ford, empresa americana, fecha as portas em razão dos altos custos, imagine-se o pequeno empresário!!! Quantos empreendedores - no seu anonimato - se viram obrigados a encerrar a atividade ou o seu pequeno negócio... e pelas mesmas razões!

Sempre que a carga tributária diminui, o empresariado é estimulado a se estabelecer e a investir no seu negócio, passando a contratar mais pessoas com carteira assinada, e, por conseguinte, aumentando a arrecadação do INSS.

O governo perde com essa iniciativa? Não, porque - por outro lado - acaba economizando em bolsa-família, seguro-desemprego, saúde. Pessoas empregadas adoecem menos, porque passam a viver com menos stress e se alimentam melhor, além de, consumirem, comprarem produtos. Quando o empresário vende, sua empresa cresce e ele passa a contratar mais pessoas... essa é a roda que faz a Economia girar e a riqueza de um país crescer. Ao contrário dos grandes sonegadores, que entra e sai governo continuam surfando no mar da sonegação.

É incompreensível que não se fiscalize e puna com firmeza a sonegação fiscal, ao invés de, transferir a fatura para os trabalhadores com o aumento de impostos, reformas e leis que dificultem a aquisição de direitos e benefícios.

A dívida dos sonegadores com o INSS é absurda!!! Ultrapassa R$ 500 bilhões de reais. Esse débito corresponde ao não repasse das contribuições obrigatórias dos empregadores e da prática de reter a parcela contributiva dos trabalhadores, o que é um duplo ilícito. Além de não repassarem o dinheiro para a Previdência pela atividade empresarial, ainda descontam parcelas mensais dos trabalhadores, embolsando recursos que não lhes pertencem. Especialistas na área previdenciária entendem ser essa prática extremamente nociva ao sistema e responsabilizam os grandes sonegadores como um dos principais fatores de desequilíbrio no caixa da Previdência. 

É preciso combater as fraudes e ter mais rigor na cobrança dos grandes devedores. De nada adianta pensar em Reforma da Previdência, sem fechar o ralo por onde escoam os recursos de financiamento do sistema, não fiscalizando ou concedendo o perdão de dívidas milionárias e isenções de toda ordem.

No rol dos maiores sonegadores estão Prefeituras, Governos estaduais, Fundações, Bancos, Empresas estatais, Empresas ativas e outras falidas. Dentre as quinhentas empresas que mais devem ao INSS, está a JBS, aquela dos açougueiros que tanto lucraram com maracutaias e o dinheiro do BNDES e, hoje, tem uma dívida junto à Previdência superior a R$ 2,5 bilhões.

Junte-se a isso os Programas de Isenção Fiscal que não se justificam, como a dos clubes de futebol, que tanto faturam com a negociação de jogadores para o exterior, televisão, patrocinadores e bilheterias, muito embora juridicamente sejam considerados associações sem fins lucrativos, portanto, isentos de tributação, ao igual que Igrejas, ONGs, associação de moradores. O Brasil deixa de arrecadar anualmente mais de R$ 500 bilhões com isenções e renúncias fiscais.

Em um cenário cada vez escasso de recursos, é preciso que a Reforma da Previdência, reveja a desoneração das folhas de pagamento e os sucessivos Programas de Renegociação das Dívidas de devedores. Isso nada mais é do que perda de arrecadação legalizada e consentida. É premiar os maus pagadores e penalizar os empresários que cumprem com suas obrigações, sem que nem ao menos se exija qualquer contrapartida por parte das empresas beneficiadas, como a geração de empregos.

E ainda há o funcionalismo público que, além de estabilidade, conta com uma série de vantagens e benefícios, que o trabalhador comum não tem. Mas isso é tema para a Parte 2. O assunto é longo. A seguir, voltamos. Que tal fazer uma pausa para o cafezinho?




Sem trabalho eu não sou nada
Não tenho dignidade
Não sinto o meu valor
Não tenho identidade...



Shadow/Mariasun Montañés 



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quinta-feira, 14 de março de 2019




A TRAGÉDIA NA ESCOLA DE SUZANO, SÃO PAULO


Preso à minha classe e a algumas roupas, vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias, espreitam-me.
Devo seguir até o enjoo?
Posso, sem armas, revoltar-me?...

Abro esta postagem com “A Flor e a Náusea” de Carlos Drummond de Andrade. Alguns parágrafos estão permeados por trechos dessa poesia. Não é por acaso. Creio que em meio a tantas especulações sobre o que será narrado, talvez seja o que mais se aproxime da realidade, nada poética.

O dia 13 de março amanheceu em São Paulo com nuvens no céu. Ao olhar para o alto, era quase certo imaginar se seriam sinal de chuva.

Pingos... chuva... água... água em fúria que, no dia anterior, causou quatorze mortes, deixou várias famílias ao desabrigo e um cenário de desolação nas principais cidades da grande São Paulo.

Em janeiro, a quebra da barragem em Brumadinho; em março, as “águas de março” em São Paulo... as águas protagonizando um ano que, em 60 dias, já está marcado pelas sucessivas tragédias.

Enquanto os paulistas contavam os mortos, aguardavam a água baixar, calculavam os prejuízos e se recuperavam da calamidade, foram surpreendidos por uma nova notícia ainda mais aterradora: Dois atiradores, Luiz e Guilherme, entraram atirando na escola estadual Raul Brasil em Suzano, causando perplexidade e morte. O fogo... o fogo no Centro de Treinamento do Flamengo... agora, o fogo das armas de fogo... atingindo mais uma vez nossas crianças.

Nesse dia de uma manhã ensolarada e quente, jovens estavam no recreio. Sorrindo, jogando bola, conversando, dividindo o lanche, como todos os dias costumavam fazer... até que dois ex-alunos da escola, chegaram trazendo medo e terror. Algo inimaginável quando a gente lembra, com carinho e um aperto no coração de tanta saudade, dos professores dos amigos e da escola que eternizaram a nossa infância.

De repente, correria, gritos, pedidos de socorro, choro incontido... Não havia um alvo específico. Apenas, o prazer mórbido e difuso do sangue escorrendo e de vidas agonizando, para - a seguir - tirarem a própria vida. Dentre as vítimas, cinco estudantes, a coordenadora pedagógica e a inspetora escolar, todos mortos, além dos dois atiradores e o tio de um deles, mais dez alunos feridos.

Diante desse horror, nos perguntamos: Por quê fizeram isso?!? Por quê escolheram essa escola?!? O que os motivou a agir com tanta perversidade?!?

Bullying? Jogos violentos? A sociedade? Filmes? Redes Sociais? Desamor? Revolta? Decreto Presidencial que liberou o uso de armas? “Posso, sem armas, revoltar-me?”

Explicações não faltaram. A bancada da “bala” do Congresso, alguns políticos e filhinhos do papai não tardaram em defender a liberação do porte de armas no país, com justificativas torpes como a de que se os professores estivessem armados, o número de vítimas seria menor. Como definir a frieza e o oportunismo de determinadas pessoas que, de forma equivocada, se aproveitam de um drama que impactou o país para explorá-lo politicamente?!?

Não, minha gente, o que houve não tem relação direta com o Decreto sobre armas. Apurou-se que há meses, há mais de um ano, os atiradores planejavam o ataque, traçando inclusive o momento oportuno: a hora do recreio, onde haveria mais crianças agrupadas. Além da arma de fogo, carregavam machadinho, faca, besta, coquetéis molotov caseiros. Onde tiveram acesso a uma arma de fogo e a um arco e flecha?!? Por outro lado, também não é correto dizer que professores armados poderiam reduzir os danos. Pelo contrário. Uma coisa é a situação controlada num stand de tiro, outra, é o uso da arma numa situação de caos generalizado com alunos gritando e correndo, por quem não tem as horas de treino de um policial. Melhor seria que houvesse na escola um controle de segurança eficaz de quem entra e quem sai, e, os portões permanecessem fechados, além de um policiamento ostensivo no entorno.

Quanto à questão da liberação de armas, em havendo um número maior nas mãos da população, aumenta a probabilidade de eventos como esse se repetirem, sim.

... Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase...

As coisas sem ênfase... que triste é o mundo quando perde o sentido e as cores!!! O que faz com que dois jovens, um de 17 e outro de 25 anos, se reconheçam na solidão de uma vida vazia, e, escolham a violência como caminho e a morte como redenção?!?

A mente humana é complexa e os impulsos agressivos quando encontram os “muros surdos”, podem ser devastadores.

Ninguém pratica um ato dessa envergadura sem dar algum sinal. Isolamento da família e do convívio social, irritabilidade, descontrole diante dos “nãos”, impaciência, estado taciturno, alterações de humor e de comportamento, inclusive na forma de se vestir, higiene, insônia, alimentação, horas e horas... mais de 24 horas na internet, não deixam de ser sinais visíveis e pedidos de ajuda.

Quando os jovens não encontram essa ajuda e apoio nas pessoas próximas ou a abordagem destas é feita ou vista como crítica e censura, eles tendem a fazê-lo fora desse ambiente.

E é aí que mora o perigo!!!
“O sol consola os doentes mas não os renova”...

... Vomitar este tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.

Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem...

“Soletram o mundo, sabendo que o perdem”...

Se os jovens sentem perder o chão e não encontram onde se escorar ou amparar, na atualidade buscam refúgio na internet. Em alguns casos, esse passa a ser seu mundo perfeito e fonte de prazer. A realidade não consegue competir com o mundo virtual. Por essa razão, há quem culpe os filmes e jogos violentos por atos de extrema violência.

Não é certo. Um jogo virtual não tem o poder de alterar personalidades a esse ponto.

O mais provável é que já havendo um ego doente, fragmentado e deteriorado, como no caso de Luiz e Guilherme, isso os motive a escolher determinado tipo de jogo para dar vazão aos seus instintos mais agressivos e destrutivos.

Pontuar num jogo e mudar de fase pode ser extremamente prazeroso. O jogador, ao invés do fracasso, entra em contato com um personagem imbatível e vitorioso, enquanto as frustrações deixam de existir. Por essa razão, pode ser altamente viciante. Mas apenas isso. A imagem de Guilherme postada em sua rede social pouco antes de ir para a escola, vestido como um personagem de videogame (caveira, bota calça jaqueta pretas, vários tipos de arma como a besta) é reflexo da dissociação de sua frágil personalidade.

Quanto mais um jovem sente “perder o mundo” no sentido de aceitação e adequação, mais solitário e vulnerável ele está para cair nas armadilhas da internet.

... Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima...

Como é que o menino “põe fogo em tudo”?!?

Há fóruns que ensinam como fazê-lo. Eles se encontram na Dark Web. O espaço obscuro da internet, cujo administrador age no anonimato.

É assim que jovens são recrutados pelo ISIS e outros são chamados para “missões” nos centros urbanos, ou, para entrar no jogo da Baleia Azul. Quem não se lembra?!?  O jogo consistia em 50 desafios enviados por um “curador” anônimo, cujo objetivo final era o jogador tirar a própria vida. Muitos jovens se suicidaram pelo mundo. O método é o mesmo.

Esses fóruns são radicais e se aproveitam da fragilidade dos mais vulneráveis, estimulando a revolta, o ódio e a desvalorização da vida. Cada integrante é conhecido como “chan”. A meta é o suicídio, mas não apenas isso, levar o maior número de pessoas junto. O lema?!? “Meu ódio é o melhor de mim”.

Entenda-se isso como quiser: poder de sugestão, convencimento, lavagem cerebral, o fato é que esses grupos estão em atividade para praticar atentados, promover a morte de pessoas e assassinatos em massa por meio de jovens limítrofes e perturbados, sob a promessa de reconhecimento, fama e notoriedade na posteridade.

A Polícia Federal já chegou até alguns deles. Marcelo Valle Silveira Mello, um dos criadores de um desses grupos, foi preso julgado e condenado a mais de 40 anos de prisão e seu site deletado.

Hoje, os atiradores da escola estadual Raul Brasil juntam-se a Wellington, conhecido pelo massacre de Realengo no Rio, na galeria de "heróis" de um grupo anônimo e insano da internet.

Por essa razão, deveria se evitar a divulgação de fotos, nome dos atiradores e imagens do atentado. Propagar isso, só contribui para notabilizar o massacre e chancelar o sucesso das trevas, que atua nas profundezas sombrias do mundo virtual. Chocar e dar visibilidade ao ato é o que buscam para motivar o próximo atirador.

... Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.

Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor...

A escolha da escola não foi aleatória, assim como o tio do Guilherme, primeira vítima do massacre. Há afeto, insatisfação, frustração reprimidos e transformados em ódio profundo por aqueles que se sentem invisíveis no mundo.

Ressentimento. Talvez ressentimento seja o mais perto que se possa chegar de uma explicação.

Olhando ao nosso redor a todo momento nos deparamos com pessoas ressentidas. Essa talvez seja a marca do século XXI.

Negros ressentidos com brancos. Pobres da favela ressentidos com quem mora na avenida. Homossexuais ressentidos com héteros. Mulheres ressentidas com homens. Nacionalistas ressentidos com refugiados. Direita ressentida com esquerda, e vice-versa. Anônimos ressentidos nas redes sociais... por tudo.

O inconformismo ao invés de ser a força vital para o aprimoramento e inspiração na busca da superação, tem se transformado em ressentimento diante de uma realidade fragmentada e intolerante... O ressentimento rompe o diálogo e leva à fúria e à violência. É quando a flor é esquecida no asfalto...

Basta acessar as redes sociais para ver hashtags com palavras de ódio, rancor, linchamento de reputações, intimidação, xingamentos diante daqueles quem pensam diferente e têm a coragem de expor o que sentem. Certas palavras como "obscurecer", "mulata", "negra linda", não podem ser ditas, porque agora são ofensivas. A troça e a piada que sempre existiu e as pessoas riam, porque sabiam rir até de si mesmas, hoje recebem o rótulo de bullying. O politicamente correto está fazendo surgir pessoas melindradas e o mundo ficar policialesco, pesado, sem graça. Até um reality show é capaz de se transformar em guerrilha entre fandoms. Acontece que no twitter é possível dar “block” e a pessoa deixa de existir em sua página, no entanto, na vida real não é possível deletá-la... ou é... quando alguém no seu mais oculto silêncio, caminha em direção ao abismo para fugir do odioso mundo, opressor e indecifrável.

... Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.

Nós somos a flor... Apesar do asfalto, tédio, nojo, ódio... náusea... somos a flor. A própria poesia que nasce contra a vontade do tempo, das misérias e decepções. A flor que guarda dentro de si a força para resistir às adversidades e desabrochar, a única maneira de não sucumbir.






Shadow/Mariasun Montañés


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A TRAGÉDIA NA ESCOLA DE SUZANO, SÃO PAULO, de MARIASUN MONTAÑÉS está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional


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