sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012



O CARNAVAL QUE O POVO GOSTA







A chuva que caiu rapidamente no fim da tarde da última sexta- feira, não foi capaz de espantar os foliões, muitos vindos do trabalho, que queriam acompanhar o Córdão do Bola Preta, bloco que percorre as ruas do Centro e abre o Carnaval no Rio de Janeiro.

Em cima do trio elétrico, os 28 músicos do bloco esquentavam o público tocando a “A Marcha do Cordão do Bola Preta”, considerado o hino da agremiação, e que faz uma homenagem ao bloco: “Quem não chora não mama!/ Segura, meu bem, a chupeta./ Lugar quente é na cama/ Ou então no Bola Preta...”. Suas cores são o branco e o preto, e o avatar oficial é qualquer roupa branca com bolinhas pretas. Muita gente faz questão de ir fantasiada e até monta alas.

Por vários carnavais Tio Zuzu fez o trajeto de 446 km entre São Paulo-Rio, só para participar do cordão: o Bola Preta, último remanescente dos antigos cordões carnavalescos que percorriam a cidade.

Na sexta-feira, lá do Alto da Boa Vista, acompanhou com nostalgia mais um desfile do bloco, que ainda nos dias de hoje, consegue arrastar uma expressiva multidão de foliões.

Esse é o Carnaval que o povo gosta, postou no blog. E continuou:

O tempo pode ter passado, mas o verdadeiro Carnaval sempre foi é e será o de rua, com suas marchinhas, o povo brincando e pulando à vontade, sem parar. Aliás, o mesmo Carnaval que se originou do Entrudo de Portugal, que levava as pessoas às ruas e cuja diversão era jogar água, ovos e farinha umas nas outras, no período anterior à Quaresma.

Ainda lembro quando a gente saia em corso pelas ruas do Centro, cantando, sambando, sem precisar pagar pra dançar. Bastava entrar no cordão e cair na folia. O ponto de encontro dos amigos era na Rua da Glória, não podiam faltar as fantasias bizarras e coloridas, máscaras para satirizar e provocar risos, lança-perfume nas mãos, só pra dar o toque de um leve perfume no ar; sem violência, arruaça ou bebedeira, apenas animação e diversão.

Saudade das marchinhas que se renovavam todos os anos. Com o passar do tempo, novos ritmos foram se incorporando à folia, já consigo até ver uma adaptação de “Ai se eu Te Pego”do Teló para este Carnaval, mobilizando centenas de foliões.

A mesma mobilização que antigamente acontecia nos bairros. Era como se cada bairro tivesse seu próprio bloco; pelas ruas, gente mascarada reunida, uma infinidade de pierrôs, arlequins, odaliscas, príncipes, princesas, marinheiros,..., de crianças a adultos, sem distinção, na esperança de serem reconhecidos pelo vizinho, amigo, paquera, “affair”, todos com um mesmo ponto em comum: a brincadeira.

Pena! Hoje o Carnaval parece ter sido subtraído das crianças. Brincar, só se for na escola ou no salão dos clubes em meio a confetes e serpentinas.

A grande verdade é que a folia migrou dos bairros para os chamados “centros da folia”, arrastando centenas de jovens e turistas estrangeiros atrás dos trios elétricos, vestindo abadás regiamente pagos, numa diversão regada a muita bebida e promiscuidade.

E o que dizer então do Carnaval “produto”, aquele feito para a televisão e os turistas? Aquele feito pelas Escolas de Samba, antes conhecidas por suas raízes, cores-símbolo e samba no pé, e que acabaram caminhando na contramão da pureza, irreverência e alegria natural dos carnavais passados.

Hoje elas são dominadas pelos cardeais da contravenção, os bicheiros do Rio, e se transformaram em empresas de alto luxo voltadas para o espetáculo televisivo. Grandes investimentos são feitos para garantir o esplendor das fantasias e dos monumentais carros alegóricos, assim como, a participação de famosos e do high society; a madrinha da bateria já não é a mais bela cabrocha do morro, mas a que mais paga pelo posto. O resultado é gente bonita e sarada, luxo, plumas, brilho e paetês na passarela do samba, muito distante do dia-a-dia da gente da comunidade.

Antigo ou não, uma coisa é certa: Fico com o Carnaval alegria, diversão, samba, música e fantasia, que o povo gosta.





Boa folia e ótimo Carnaval!!!

Shadow/Mariasun



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