domingo, 27 de março de 2011




IRON MAIDEN NO MORUMBI
, EM SÃO PAULO





Numa noite estrelada acompanhada de uma suave brisa, pela nona vez no Brasil
(a primeira aconteceu no Rock in Rio, em 1985, e a última foi em 2009), às 21h05, na mais absoluta pontualidade britânica, o Iron Maiden apagou as luzes do Morumbi, em espetacular show de duas horas de duração.

Nos telões animações especiais do prólogo de Satellite 15...The Final Frontier, faixa de abertura do novo álbum. Cinquenta mil pessoas vibrando, coração pulsando, à espera da entrada triunfal do grupo, que foi apoteótica.

A ela seguiram-se as outras faixas do CD
The Final Frontier, lançado em 2010: "El Dorado" (a segunda da noite), "The Talisman", "Coming Home" e "When the Wild Wind Blows", que também fazem parte do set list da The Final Frontier World Tour.


O primeiro clássico veio com
2 Minutes To Midnight, que fez o público cantar em coro o refrão com o carismático Bruce Dickinson.
 
A técnica da banda capitaneada pelo baixista Steve Harris é algo estratosférico. A performance musical dos guitarristas Dave Murray, Janick Gers e Adrian Smith é impecável em bases e solos, executados com a mesma perfeição com que foram gravados os 15 discos de estúdio.

Shows de heavy metal fazem parte dos raros casos em que o clichê é bem-vindo. E o Iron Maiden é um dos melhores exemplos do que é uma apresentação do gênero: por mais previsível que possa ser tudo dentro de um espetáculo como esse, sem dúvida, o resultado é sempre surpreendente, fantástico e verdadeiro. As cinquenta mil pessoas que assistiram à banda neste sábado, 26, no estádio do Morumbi, em São Paulo, viram o que o grupo vem fazendo há 30 anos, e esse é justamente o motivo pelo qual ele segue adorado por uma legião de fãs, cujas vidas parecem girar em torno do sexteto britânico.

Bruce Dickinson, frontman dos mais competentes e carismáticos do mundo, brincou com os fãs sobre esta ser a última turnê da banda. Em seguida garantiu que quando a "Donzela" resolver pendurar as guitarras, o grupo se apresentará no Brasil, salientando que "se o Iron Maiden fizer uma turnê de despedida, passará por São Paulo", levando o público ao delírio. ("DONZELA" assim como a banda é conhecida, Iron Maiden, Dama de Ferro em português, nomeada assim para homenagear Margareth Thatcher).
 
Dickinson avisou ainda que o grupo está gravando todas as apresentações desta turnê para o novo álbum em CD e DVD, onde serão incluídos os melhores momentos dos shows.

Decoravam o palco elementos que remetiam a naves espaciais, tema da arte de The Final Frontier. Os panos de fundo estáticos variavam de acordo com a música, ora com a imagem de Eddie, ora com pequenas luzes que imitavam o céu logo atrás do baterista Nicko McBrain. Uma passarela acima de McBrain permitia que Bruce Dickinson corresse de uma ponta a outra do palco. Aos 52 anos - Dickinson é o mais jovem da banda - não demonstrou sinais do cansaço: a performance ainda é dinâmica e cheia de energia, e os agudos continuam perfeitos. Em mais de três décadas de carreira, Bruce Dickinson se mantém como um dos melhores e mais poderosos vocalistas do metal.

Antes de "El Dorado" ele chamou o público pela primeira vez, com seu indefectível grito de "Scream for me, São Paulo". Carismático, conversou diversas vezes com a platéia paulistana, arriscando algumas palavras em português carregado de um charmoso sotaque britânico.

"Sei que vocês tem que ir à igreja amanhã, mas não damos a mínima. Vamos manter vocês acordados a noite inteira", disse antes de "Coming Home".

O primeiro ponto alto do show veio com o clássico "The Trooper" de 1983, durante o qual, como de costume, Dickinson segurou uma bandeira da Inglaterra. Depois de "The Wicker Man", o cantor voltou a falar, contando que a banda estava prestes a chegar ao Japão para dois shows quando aconteceu o terremoto, seguido de tsunami, que devastou o país no último dia 11.

"Vamos dedicar essa música a todos que passaram por essas merdas [catástrofes naturais]. Temos fãs no mundo todo. E não ligamos para sua religião ou sexo. Se você é um fã do Maiden, faz parte da família", falou, para alegria daqueles que têm no metal um estilo de vida, antes de "Blood Brothers"

Enquanto Dickinson hipnotizava o público, Janick Gers divertia-se em solos rápidos, dançando e fazendo pose com a guitarra. Steve Harris, fundador da banda, aproveitou para apontar o baixo em direção à plateia, como se segurasse uma arma. Em certos momentos, os dois, ao lado de Adrian Smith e Dave Murray, se uniram no centro do palco, formando um quarteto infalível de peso e virtuose.

Em "The Evil That Men Do", décima primeira música da noite, Eddie, o notório mascote da banda, deu as caras. Um boneco gigante, caracterizado como o Eddie da capa do último disco, interagiu no palco, tocou guitarra e saiu, antecedendo o maior coro da noite, em "Fear of the Dark"

Por mais manjado que um show do Iron Maiden possa parecer, é impossível tirar a beleza de momentos como esse, em que cada um dos cinquenta mil espectadores canta com as mãos para o alto, de forma devotada e incondicional. É arrepiante e contagiante quando todos pulam, cantam e balançam as mãos. Energia pura!

A sequência que se seguiu foi a melhor do show: "Iron Maiden", "The Number of the Beast", "Hallowed by thy Name" e "Running Free" (as três últimas no bis) encerraram a apresentação, que durou cerca de duas horas.

A canção título da banda, "Iron Maiden", também contou com outro boneco ainda maior, 8 metros de altura, surgindo atrás da bateria de Nicko McBrain.


Foi um show inesquecível e no melhor estilo do Iron Maiden.



Confira o setlist completo:
Satellite 15... The Final Frontier
El Dorado
2 Minutes to Midnight
The Talisman
Coming Home
Dance of Death
The Trooper
The Wicker Man
Blood Brothers
When the Wild Wind Blows
The Evil That Men Do
Fear of the Dark
Iron Maiden
Bis:The Number of the Beast
Hallowed Be Thy Name
Running Free

Satellite 15...The Final Frontier

Pura Energia!!!


Bruce Dickison: talentosíssimo, de carisma inegável e um dos melhores vocalistas do gênero;



Steve Harris: baixista fundador do Iron Maiden, possui personalidade vibrante e presença de palco; além de tocar baixo compõe músicas; sendo sem sombra de dúvida uma das personalidades mais importantes da história do heavy metal.


 
Janick Gers: presença marcante no palco com sua guitarra dourada e técnica indiscutível nos solos rápidos e difíceis;




Adrian Smith: guitarrista diferente dos demais, sempre deu preferência ao feeling do que à técnica, conseguindo inclusive dois prêmios de melhor guitarrista na década de 80.


Dave Murray: o mais quieto no palco; tem um estilo limpo, veloz e preciso no solo de guitarra; sua musicalidade e talento são indiscutíveis;




 
Nicko Mcbrain: atualmente, é considerado por muitos como um dos maiores bateristas do estilo heavy metal de todos os tempos, conhecido pela sua irreverência, técnica e estilo peculiares.




Shadow/Mariasun


Licença Creative CommonsA obra IRON MAIDEN NO MORUMBI, SÃO PAULO de MARIASUN MONTAÑÉS foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

O Iron Maiden segue neste domingo para o Rio de Janeiro onde se apresenta no HSBC Arena. No dia 30 de março, a banda faz show em Brasília, no Ginásio Nilson Nelson. A região norte é a seguinte na agenda do Maiden: Belém recebe o grupo no dia 1o. de abril. Recife é a parada seguinte da banda no dia 3 de abril. A última cidade brasileira a receber a banda é Curitiba que confere a apresentação no dia 5 de abril.


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