segunda-feira, 23 de julho de 2012



OS JOGOS OLÍMPICOS DA ERA MODERNA E O MASCOTE LONDRES 2012



Em certos momentos, ao digitar uma palavra ou outra sobre as Olimpíadas de Londres, Tio Zuzu se dá conta do quanto é difícil acompanhar a evolução e a revolução que o mundo atravessa.

- Devo estar ficando velho!, diz pra si mesmo.

Enquanto se prepara para acompanhar o evento, em meio à tecnologia capitaneada pela internet, impossível não recordar dos Jogos Olímpicos do passado que acompanhou a cores e ao vivo, quando era correspondente internacional.

Passaram-se já quarenta anos de quando ele, recém-formado, foi a Munique auxiliar na cobertura dos Jogos. Foi o seu primeiro tudo. Primeira viagem ao exterior, primeiro trabalho como jornalista, primeiro salário decente, e... o primeiro choque com a realidade dura, nua e crua. Foi testemunha ocular do atentado terrorista de extremistas palestinos, que vitimou onze atletas israelenses e cobriu de luto os Jogos daquele ano. Como é que pode? A paz e o congraçamento entre os povos não deveriam ser os espíritos básicos dos Jogos Olímpicos?

Quatro anos depois, em 1976, lá estava ele outra vez, agora em Montreal. Casa arrombada, trancas na porta... E desta vez, lembra ele, os Jogos foram marcados por uma rigorosa segurança. Neles surgiu uma estrela, a ginasta romena de 14 anos, Nadia Comaneci, a garotinha que parecia ter asas nos pés e nas mãos. Quem disse que o homem não pode voar?

Em 1980, lá estava ele em Moscou, agora chefiando sua própria equipe. A expectativa era grande: os primeiros Jogos realizados num país socialista. Porém, estes foram marcados pelo boicote político e ausência dos atletas dos Estados Unidos, assim como, dos de outros 65 países, após a invasão soviética no Afeganistão. O esporte não foi capaz de superar a política.

O mesmo ocorreu com os Jogos de Los Angeles de 1984. Novo boicote! Os países do bloco do Leste Europeu resolveram dar o troco. O destaque ficou por conta do velocista americano Carl Lewis, o verdadeiro The Flash.

Com a presença de todas as superpotências em Seul, os Jogos da Coréia testemunharam a quebra de 27 recordes. Foi aí, em 1988, que o amadorismo deixou de ser obrigação para ser superação.

Em Barcelona, à beira do Mediterrâneo, as Olimpíadas de 1992 aconteceram sem qualquer entrave político de monta, para consagrar o esporte, em especial, o "Dream Team" de basquete dos Estados Unidos e Carl Lewis, o atleta americano mais premiado com ouro olímpico.

Atlanta, 1996, o Centenário dos Jogos da Era Moderna, Tio Zuzu lá estava.


Apesar do importante marco, estas Olimpíadas talvez tenham sido as mais polêmicas, e as que mais críticas e insatisfações suscitaram. Inicialmente, deveriam ter sido sediadas em Atenas, mas por pressão da Coca-Cola, acabaram sendo realizadas nos Estados Unidos, na cidade onde esta tem a sua sede. O esporte curvou-se ao patrocinador, assim como os deuses do Olimpo. A competição deu novo passo ao gigantismo, isso é indiscutível, contou com a participação de mais de 10 mil atletas de 197 países. Mas, problemas com a segurança abalaram a competição. Uma explosão no Parque Centenário, no centro da cidade, deixou dois mortos e mais de uma centena de feridos. Tio Zuzu reviveu o pesadelo de Munique e o incidente gerou severas críticas aos organizadores do evento, uma vez que a presença maciça de soldados e do FBI foi incapaz de impedir o ato terrorista.

Tio Zuzu começava a pensar na aposentadoria quando as Olimpíadas de Sidney 2000 chegaram.

Estes podem ser considerados os Jogos dos números. Foram batidos todos os recordes: de atletas participantes, países, mulheres, jornalistas, voluntários, esportes, provas, medalhas, direitos de TV e espectadores. Ufa! Livre de boicote e atentados, o maior problema do evento foi o fuso horário. Quando os jogos eram disputados, o mundo ocidental dormia. Moral da história: nada é perfeito!!

Já cansado, decidiu que Atenas 2004 seria a última Olimpíada que iria cobrir.

Os Jogos estavam de volta à Grécia, terra das primeiras Olimpíadas, que se repetiam na cidade de Olímpia desde o século 8° A.C.. Depois de 1.500 anos sem a realização do evento, os Jogos voltaram ali para renascer: Atenas 1896, berço dos Jogos da Antiguidade, agora também sede dos primeiros Jogos da Era Moderna. Em 2004, 108 anos após, eles voltaram para marcar, pela segunda vez, os Jogos da Era Moderna. Foram os primeiros após os atentados de 11/11/2001 nos Estados Unidos e de 11/03/2004 em Madri. Havia muita incerteza no ar. A segurança assustava grande parte das delegações e dos jornalistas. No entanto, Atenas calou os críticos e conseguiu levar a cabo o evento com sucesso e sem qualquer incidente.

Quando vieram os Jogos de Pequim em 2008, Tio Zuzu já havia pendurado as chuteiras. Acompanhou tudo pela internet e televisão, e o que mais o encantou foram as cerimônias de abertura e encerramento, mostrando de maneira magistral aspectos da história e cultura milenar chinesa.

Hoje já está na concentração para a festa de abertura das Olimpíadas de Londres, que acontecerá no próximo dia 27. Fuçando no Google sobre o tema, deparou-se com um vídeo que mostra os mascotes dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos, Wenlock e Mandeville, respectivamente.

Mais uma vez, foi arrebatado pela sensação de estar ficando pra trás num mundo cada vez mais globalizado, diante das constantes e incontroláveis mudanças tecnológicas, que exigem adaptações e ajustes permanentes para sentir-se adequado ao meio em que se vive.

É oportuno lembrar que os mascotes de Londres 2012 foram criados para ser a representação de duas gotas de aço polido, que refletem a personalidade e a aparência das pessoas que vão conhecendo, e, seus olhos, cada um tem um olho, são câmeras para filmar suas aventuras.

- O que foi feito do Mischa?, atônito Tio Zuzu se pergunta.

Mischa foi o mascote dos Jogos de Moscou, um ursinho fofo, meigo e simpático que toda criança queria e sonhava ter. Aliás, o choro de Mischa no telão, durante o encerramento dos Jogos daquele ano, deixou muita gente com um nó na garganta. Desnecessário é dizer que, quando Tio Zuzu retornou ao Brasil, veio carregado de Mischas pra presentear aos sobrinhos. Aliás, esse ursinho, por muito tempo foi o companheiro inseparável de Maria Rita e o confidente fiel da Leninha.

Por essa razão, ficou literalmente surpreso ao ler que Sebatian Coe, Presidente do Comitê Olímpico dos Jogos de Londres, disse ter sido feita uma pesquisa com crianças de diversas faixas etárias, e que a garotada teria expressado não querer mais saber de mascotes bonitinhos, fofinhos, cute-cute. Pobre Mischa! Ursinhos fofos e meigos pelo visto hoje são over, "thing of the past"!!

Pois é, essa é a geração Playstation, Wii, fissurada em vídeo games e jogos on line! As crianças não são as mesmas. O mundo mudou, elas também mudaram! Segundo Coe, a turma quer mais é interagir com mascote que tem cara de alienígena e um olho só, e, por seu turno, a organização quer o total envolvimento das crianças com os Jogos. Interagir... mas interagir com o que?

- Devo estar ficando velho! repete o Tio Zuzu.

Com você o nascimento de Wenlock e Mandeville:






Shadow/Mariasun Montañés




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