quarta-feira, 7 de dezembro de 2011



DE BELO MONTE AO PLEBISCITO NO PARÁ




Faz algumas semanas que o Kaká está no Pará, fotografando a região do Rio Xingu. O que era para ser uma viagem de não mais que cinco dias, acabou se prolongando.

Está encantado com as riquezas naturais que encontrou por lá. O Brasil é um tesouro a céu aberto!, não cansa de repetir.

Escreveu recentemente no facebook:

Vocês não têm idéia do que é isso aqui. Sabiam que o Rio Madeira tem o maior número de peixes do mundo? Isso mesmo, são cerca de 800 (oitocentas) espécies, de pirambóias a arraias, peixes-gato a acarás-bandeira, bagres a piabas, lambaris a peixes-elétricos e por aí vai... E não é só! Isso ainda pode mudar, já que o Madeira foi o primeiro rio da região a ser pesquisado e estudado, ainda faltam o Tocantins, Tapajós e o Xingu. Dá pra dimensionar tudo isso?

O Dr. Paulo, pai do Dudu, que tem acompanhado a expedição do amigo, comentou:

Veja a ironia. Nossos tesouros ocultos, ainda desconhecidos, estão na iminência de desaparecer. A Hidrelétrica de Belo Monte, por exemplo, com o alagamento de enormes áreas da floresta, põe em risco toda essa diversidade que você tem encontrado por aí, lugar onde estão as espécies mais raras do planeta. Verdadeiras jóias sob as águas, dá pra acreditar nisso?

Pontuou ainda o Kaká:

Paulo, quanto a essa questão, estima-se por aqui que a devastação da floresta será significativa, ao se levar em conta que na região de uma grande barragem, a destruição do meio natural ocorre numa área três ou quatro vezes maior do que a zona de inundação. De forma que, as barragens construídas, ou em projetos a curto prazo, inundam ou inundarão aproximadamente 10 mil quilômetros quadrados da floresta, o que quer dizer que a superfície, que será por fim destruída, atingirá 30 mil a 40 mil quilômetros quadrados, ou seja, 1% do maciço florestal amazônico. É algo dantesco!

Dudu explicou com ar de doutor:

A Profe de Geo falou que a destruição das florestas com a construção de barragens, quebra o ciclo aquático porque um grande número de peixes se reproduz nas cabeceiras dos cursos d'água e, que durante as cheias, as correntes carregam ovos e larvas na direção dos rios e seus afluentes. As barragens mudam esses ciclos de reprodução, afetando também a pesca. Ela contou ainda que quando o ecossistema se quebra, o homem também é afetado porque doenças como a malária, viroses,...começam a se espalhar e desenvolver.

Isso mesmo Dudu, escreveu cheio de orgulho o Dr. Paulo.

Ao que Maria Rita acrescentou:

Pois é, e tem também a votação nesta semana no plenário do Senado do Novo Código Florestal, pelo menos essa é a previsão, que dará aos desmatamentos indiscriminados e criminosos o respaldo da lei. Vergonha só!

Tio Zuzu, com sua visão jornalística e de quem já viveu muito, arrematou:

Somos privilegiados por termos o maior tesouro que se pode ter: água viva em abundância, terras férteis e ecossistemas estonteantes, cuja diversidade é inimaginável, no entanto e, apesar disso, somos incapazes de ver e defender o enorme valor do patrimônio que possuímos.

Kaká complementou:

Em minhas andanças por aqui pude ter contato com as populações ribeirinhas. É triste reconhecer que estamos destruindo também a herança e cultura dos povos indígenas que por aqui habitam.

Foi aí que o Dudu, fiel seguidor do padrinho, acrescentou:

Pois é tio, eu não consigo entender isso que está acontecendo aí no Pará, agora querem dividir o Estado em três: Pará, Tapajós e Carajás, arre! Eu aprendi na aula de Geografia que o Brasil tem um Distrito Federal e 26 Estados, vou ter que aprender tudo de novo! Assim não dá, né?

Olhe Dudu, pra ser sincero com você eu também não consigo entender.

Mas não é pra entender mesmo, comentou o pai do Dudu. Senão vejamos: Quem deveria votar nesse plebiscito do próximo dia 11, sobre a criação de mais novos Estados? Segundo a Constituição Federal: a “aprovação da população diretamente interessada, através de plebiscito”. Qual seria a população “diretamente interessada?”.

Boa pergunta, pai!

Todos já instalados na sala de bate-papo, o debate continua:

Onde você quer chegar?;

Compadre, a criação de novos Estados é negócio altamente vantajoso para os políticos, e apenas para eles. Cada novo Estado representa o ganho de um novo Governador, dez (10) novas Secretarias, uma Assembléia Legislativa de no mínimo dezessete (17) Deputados, um Tribunal de Contas de três (3) integrantes e um Tribunal de Justiça de sete (7) Desembargadores. Tudo isso garantido pela Constituição. No plano federal, brotam em Brasília três novos Senadores e um mínimo de oito (8) Deputados. Nesse caso não seriam “diretamente interessados” todos os brasileiros???.

Entendi. Todos esses cargos multiplicado por três e custeado pelos impostos pagos em todo o país.

Pois é. Então por que não se fazer um plebiscito de âmbito nacional? Dentre outras razões, pela certeza de que a chance de vitória é maior no âmbito restrito do território. Aliás, nem todos os brasileiros sabem que haverá plebiscito para o desmembramento do Pará, essa que é a verdade. Pouco se falou sobre isso porque o debate não interessava.

Tio Zuzu complementou:

Há muitos interesses escusos por trás. A frente que defende a divisão do território paraense, não tem conseguido apresentar argumentos palpáveis e muito menos virtudes. Por trás disso, estão atividades imorais como a grilagem de terras, o desmatamento irregular e a exploração de trabalhadores rurais, que fazem parte da história do sul e sudeste do Pará. O que se quer é a instituição de feudos em Carajás e Tapajós, relegando o povo paraense, agricultor e ribeirinho, paulatinamente expulso de suas terras pelos ditos “investimentos econômicos”, à penúria, miséria, violência e segregação. Carajás, por exemplo, já nasceria como um Estado dependente e submetido diretamente aos interesses da Companhia Vale do Rio Doce, sem qualquer autonomia e soberania, uma vez que, essa empresa é a grande interessada e patrocinadora da aprovação desse desmembramento. O mesmo se diga quanto ao novo Estado de Tapajós, que hoje tem quase metade de seu território ocupado por reservas indígenas e florestais, incluindo a região do Xingu, e onde o Governo pretende construir a Usina Hidrelétrica de Belo Monte.

Estou sem palavras, escreveu Maria Rita em seu comentário.

É pouco ou quer mais?, continuou Tio Zuzu: Se aprovado, nos moldes como está proposto, o futuro Estado de Tapajós teria quase 80% de seu território em áreas de preservação o que inviabilizaria a economia e quase a totalidade do parco desenvolvimento econômico da região. Não bastasse as terras alagadas por Belo Monte, como se produziria riqueza na região? Ora, é fácil vislumbrar que isso só beneficiaria políticos e sojeiros, e outros que fazem parte do folclore da história política e policial da região.

Dudu abelhudo como ele só, acrescentou:

Eu sei que a Profe contou que agora o Pará pode vir a ter três capitais: Belém, no Pará; Marabá, no Carajás e Santarém, no Tapajós. Que confa!

Confa maior será se essa moda pega, complementou o Tio Zuzu. Projetos de criação de novos Estados não faltam no Congresso. Há um prevendo o Estado de Gurgueia, desmembrado do Piauí; outro cortando o Maranhão em dois; outro extraindo de Goiás o território vizinho a Brasília; outro dividindo novamente o Mato Grosso, para formar o Araguaia; e, o Amazonas, em Juruá, Solimões e Rio Negro. A diferença é que no caso de Carajás e Tapajós, o projeto passou.

A conclusão é que há muitos interesses rondando o Pará, comentou com propriedade Maria Rita.

Isso tudo pra mim é javanês, disse Dudu.

Pra mim também Dudu, pra mim também, finalizou o Kaká.




Shadow


Natal 2011 - ESPALHE ESSA IDÉIA
Já pensou em fazer algo diferente neste Natal? Que tal ir a uma agência dos Correios e pegar uma dos 20 milhões de cartinhas de crianças pobres? Há pedidos inacreditáveis. Tem criança pedindo um panetone, uma blusa de frio para a avó...É uma idéia!
É só pegar a carta e entregar numa agência do Correio até o dia 20 de dezembro. O próprio correio se encarrega de fazer a entrega.
Na vida passamos por três fases: a primeira, quando acreditamos em Papai Noel; a segunda; quando deixamos de acreditar e, a terceira, quando nos tornamos Papai Noel




RESULTADO DAS URNAS:
O Pará não será dividido. A maioria dos eleitores rejeitou a proposta para dividir o Estado. Mais de 66% dos paraenses rejeitaram a criação dos Estados de Carajás e Tapajós. Já diz o dito: "a voz do povo é a voz de Deus". Agora só falta Belo Monte. Se a questão dependesse do voto popular já estaria resolvida. Em peso os brasileiros diriam não à Hidrelétrica de Belo Monte.


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