sexta-feira, 28 de junho de 2013



O AMANHECER DA ALMA - PARTE 1

Quis o vento presentear-me com lembranças adormecidas... quis o vento sussurrar-me palavras... quis o vento abraçar-me... mas você não estava lá... (Mariasun Montañés)

Alma... Ela vagava livre, leve como a brisa suave. Possuía o que qualquer criança devoradora  de histórias costuma ter: sonhos, anseios, devaneios, ilusões. Até que nasceu para ela o magno dia de entrelaçar-se, roçar, em outra alma que lhe era semelhante em essência. Era o início do seu amanhecer.
Transformou-se em luz, uma aura de esperança passou a brilhar. Não andava, nadava num mar azul e sereno, as ondas a levavam e traziam, num vai e vem constante, que a brisa do mar tocava assim como um beijo em noite de luar.  
Não era a aparência física, era a semelhança e transparência de almas. É como se fosse possível falar além das palavras, entender a tristeza, a alegria e o desejo nelas encapsulados, mesmo estando distantes, cada uma em diferentes lugares. Havia uma compreensão e ao mesmo tempo um vazio, tristeza por não terem se encontrado antes.
Era o sentir do calor resplandecente do amanhecer que renova, aquece e acolhe... E quanto ao tempo? O tempo era indefinido, mas o caminho era esse.
 
Como sabê-lo? Quando almas afins se encontram e se tocam, ao anoitecer a lua quase sempre traz a saudade uma da outra, em um processo contínuo de reaproximação.

Enquanto isso, desejam coisas como caminhar juntas por uma estrada cercada de árvores frondosas, navegar por uma mar calmo e profundo, voar ao lado das gaivotas rumo ao horizonte, ver a noite estrelada chegar, o dia amanhecer por trás da montanha... uma vez... e mais outra... Porém, esses encontros atemporais, via de regra, acontecem deslocados no tempo e espaço, em momentos onde dificilmente será possível extravasar toda a plenitude do amor que carregam dentro de si, toda a alegria de amar, toda a emoção contida nessa espera...
Como compreeder o tempo? O tempo do infinito, não do relógio. Almas que estão predestinadas uma para a outra ficam marcadas e ainda que não possam ou estejam impedidas de  voar com as gaivotas para sempre, jamais conseguirão se separar. Súbita e inesperadamente acabarão novamente se encontrando em algum outro tempo e lugar.
O tempo não consegue apagar o que está impresso em suas digitais, na sua aura, no seu DNA astral. É por isso que se diz, que quando duas almas afins, gêmeas, idênticas, se encontram, mesmo que estejam separadas, nunca se sentirão só, porquanto terão sempre uma à outra por toda a eternidade... Amanhecerão sempre uma para a outra...
 
 
Toda a parte mais inatingível de minha alma e que não me pertence, é aquela que toca na minha fronteira com o que já não é eu, e à qual me dou. Toda a minha ânsia tem sido esta proximidade inultrapassável e excessivamente próxima. Sou mais aquilo que em mim não é. (Clarice Lispector)
 
Shadow/Mariasun
  
Licença Creative CommonsO trabalho O AMANHECER DA ALMA - PARTE1 de MARIASUN MONTAÑÉS foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada.


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