terça-feira, 11 de março de 2014




BBB14 - PEGA FAMA E DEITA NA CAMA






Penso ser este o dito popular que melhor define a atual atração global. Será? Provo por A + B.

As primeiras edições do BBB causaram furor e bombaram, em especial, nas redes sociais. Aqueles primeiros malucos confinados numa casa, tendo que superar os próprios limites em provas de resistência fodásticas, os conchavos correndo à solta, a formação de panelinhas amadas por uns e odiadas por outros, as privações de comida ou de ter que acampar do lado de fora da casa, a briga aguerrida pela liderança para conseguir imunidade por uma semana, acabou despertando o interesse do público. Blogs foram criados para entender, fomentar e comentar o fenômeno, torcidas apaixonadas por um ou outro participante cresciam no decorrer do programa, pessoas viravam a noite para acompanhar seu favorito nas provas de resistência, a guerra entre torcidas se instalava de norte a sul do país. 

No cabeleireiro, supermercado, escritório, banca de jornal, escola, churrasco, reunião com o chefe, jantar à luz de vela, almoço na casa da sogra... não se falava em outra coisa: quem será o eliminado desta semana? Cálculos estatísticos eram feitos para medir a probabilidade de votos que cada um poderia receber. Conheço até quem em dia de votação tirava o telefone do gancho, desligava o celular só pra não perder um segundo sequer daquele “momento histórico”, que traçaria os rumos do jogo.

Ora, quem não gosta de dar uma espiadinha e meter a colher na vida alheia, não é mesmo? Óbvio é, no entanto, que a bisbilhotice tem que vir com um gostinho de quero mais, ela tem que ser estimulada pelo imprevisível. Senão cansa, vira mais do mesmo.

Para chegar a isso é preciso trabalhar duro, pôr os estagiários pra pensar, a criatividade pra funcionar durante a elaboração de provas inéditas, supervisionar com esmero cada detalhe para que o espetáculo ganhe veracidade e, acima de tudo, credibilidade. E dessa forma ter sucesso garantido no trinômio: patrocinadores, lucros e audiência.

Mas, porém, contudo, entretanto... o tempo passou, as edições foram se sucedendo, e elas começaram a flopar.  Por quê? “O modelo está esgotado”, “esse tipo de atração não tem mais fôlego”, dizem os mais pessimistas e alguns sabotadores. Não. A receita é boa, demora a se esgotar. Outros realities estão aí para provar o contrário, como AFazenda.

A bisbilhotice é inerente ao ser humano, assim como "fazer fama e deitar na cama".  

O fato do show ser sucesso ou de ter atingido lucros e metas não é suficiente para manter o primeiro lugar na audiência; o fato de ser sucesso, não quer dizer que nunca perderá o status. Note-se que esse ditado está intimamente ligado à capacidade de acomodação ou de sair do lugar comum e manter-se sempre em movimento em busca “do mais”, nunca do “mesmo” ou “do menos”. Hoje, a formação do paredão aos domingos, antes tão esperado, está perdendo pontos no Ibope para o SBT; Silvio Santos com o seu “quem quer dinheiroooo” tem tirado o sono de muitos que julgavam reinar absolutos no horário.

A receita do sucesso, meu caro Bones, papai Bonifácio conhece bem, exige demanda de novos talentos, novos desafios, novas habilidades para inovar e renovar-se, sem perder de vista a essência do produto veiculado.

Hoje a televisão está sob a ameaça de novos concorrentes e de uma internet rápida e imediata. Os participantes do BBB não são os mesmos. Perderam a ingenuidade. São descolados, matreiros, PhDs em matéria de realities, e não sei porque cargas d’água acham que pra faturar o prêmio basta fazer casalzinho e dar umas bitoquinhas ainda que a contragosto; e lá vão eles, no primeiro dia, em questão de horas, declarar amor eterno e se estapear com quem possa atrapalhar seus planos. A seleção também não é mais a mesma, hoje direta ou indiretamente muitos deles já possuem trabalhos e contatos na mídia, dando a impressão de que a escolha não é tão aleatória assim, fazendo jus ao ditado de que "quem tem padrinho não morre pagão".
 
As torcidas não são mais as mesmas também. São formadas muito antes dos participantes irem para o confinamento, porque essa coisa de sigilo, já era, os nomes são divulgados com dias, semanas de antecedência. Mesmo sem conhecer bem a todos, logo nos primeiros dias basta alguém soltar no twitter que tal dupla ou fulano é a sensação do momento, pra um bando de ensandecidos e descerebrados comprarem a ideia e, muitas vezes, acabarem com o jogo e com o prazer de quem curte conflitos, o imprevisível, jogadas interessantes, emoção, cumplicidade com o big irmão. Isso é um indicativo claro de que as torcidas estão bem abaixo da crítica. Note-se que tão logo um participante recebe o carimbo de “ser o cara”, ganha adesões para não mais perder esse posto, aconteça o que acontecer na casa. Ele é “o cara” porque ele “é o cara”, e ponto. Nas primeiras edições não haveria como essa lenda prosperar, pois o que valia para o público votante era a história construída pelo participante ao longo de semanas e meses, e ai dele se decepcionasse ou cometesse algum deslize ao final.

O BBB que está no ar, é tudo, menos o BBB de suas raízes.

Poder-se-ia dizer que já começou de maneira torta, com a participação da Valdirene. Causou frisson, sem dúvida, porque a Tatá Werneck deu um show, mas foi uma iniciativa totalmente deslocada e desfocada do reality. Qual é a marca do BBB? O confinamento, sendo que a partir dessa situação limite as mazelas do ser humano possam se revelar, para o bem ou para o mal, para o amor ou para o ódio, nesse misto de bipolaridade na qual todos oscilamos. É inegável que a marca de qualquer produto tem valor, e ela foi quebrada ao se permitir a entrada de um personagem de folhetim em meio aos participantes. Até onde vai a realidade e a ficção, então? Como é possível tratar-se com tanto desdém a marca da atração?

Mas o pior, é que a sombra do efeito Valdirene perdurou. Para comprovar que o reality ainda pode inovar e despertar o interesse do passado, as mães dos participantes foram colocadas por alguns dias dentro da casa, separadas apenas por um muro que permite a livre comunicação e muita gritaria. Oi??????

Agora eu pergunto: Qual é a finalidade disso? Não teria sido muito mais interessante botar a criatividade pra funcionar e os estagiários pra trabalhar fazendo jus ao salário que recebem, criando desafios, fazendo provas bem elaboradas, forjando situações que tirasse os participantes do SPA e da zona de conforto? São capazes sim, é só querer e tiveram nove meses pra planejar, o que não é pouco.

Cadê o quarto branco, provas de liderança surpresa, falsas eliminações, dinâmicas que façam as máscaras caírem? A coisa está tão avacalhada que nem a possibilidade de ser líder os seduz mais, lembremos a forma como o Roni entregou a liderança ao Marcelo (ownnn); o temido big fone hoje virou piada, todo mundo sabe dia e hora em que vai tocar, até a direção o trata com descaso, senão como explicar a mesma mensagem repetida em sequência e em dias diferentes? (ownnn); as provas têm sido marcadas pela displicência, erros e equívocos, como a última, onde numa prova de rapidez se permitiu que um participante trombasse no outro, quando eles poderiam ter feito o percurso sozinhos computando-se o tempo individual de cada um; nem na “lavagem de roupa suja” tem havido esmero, perguntas nível jardim de infância, que não chegam a causar cócegas e muito menos mal estar entre eles; as perguntas feitas ontem às mães para serem respondidas pelos filhos, nada acrescentaram, nível mais pra Organizações Tabajara do que pra Organizações Globo: O que seu filho prefere - TV Globinho, Sessão da Tarde ou Corujão (ownnnn)? Profundo, tudo aquilo que a torcida e o público gostaria de saber!!!!!! Bem se vê que houve cuidadosa e esmerada pesquisa na biografia do participante.
  
E um capítulo à parte são as intervenções cada vez mais tendenciosas de Pedro Bial queimando uns e favorecendo outros. O que é ele se dirigindo à mãe da Tatiele como sogrinha? Ah, façaofavor!!! Quais os benefícios disso para a competição, alguém pode me dizer?


Está provado que o que está ruim, sempre pode ficar pior. A participação e confinamento das mães, causaram uma ruptura irreparável nas tímidas tentativas de alguns em partir para o jogo, a meu ver, foi uma iniciativa péssima e infeliz. Hoje, todos tem informações fresquinhas sobre enquetes, popularidade, favoritos de alguns blogs, término de namoros em CAPS LOCKS. Foi-se o tempo em que eles não tinham a menor noção se um cometa havia caindo no outro lado do planeta ou se estariam agradando ao público. Agora estão mais informados do que muitos de nós.

Risco alto e que não se deve cometer, uma distração e descaso por parte de quem faz, que leva aqueles que são assíduos, comentam e acompanham o programa, desde as suas primeiras edições, a perder o interesse e a confiança. Chama o PROCON porque usar e abusar do consumidor, não é ético nem permitido.

Espero que as mães, ao menos, estejam sendo bem remuneradas, porque ter que dormir em beliche ninguém merece, além do mais, a exposição e o direito à imagem tem valor, e a emissora está faturando com elas. Pra quem está achando que elas movimentaram o BBB, meus pêsames, você não sabe ainda o que é esse jogo.

Aliás, das mães que estão lá, só a Da. Ledi é a que acrescenta alguma coisa. Ela com seu jeito valdireniano de ser está dando um show, nadando de braçada, ela é a verdadeira bbbniana do momento. Tresloucada, simpática, cativante, irreverente, animada como um BBB deve ser, um colírio diante de todos que estão lá, muitos deles engessados, sem brilho e sem conteúdo. Mas ela não é participante, como a Valdirene também não o era. Triste fim de uma atração, que busca movimentar o jogo e causar nas redes sociais com quem não faz parte dela. Em questão de horas Da. Ledi vai embora com a filha, e aí fica a ressaca do que poderia ter sido e não foi.

Pois é.... pega fama e deita na cama... 


Se pudesse escolher
Entre o bem e o mal
Ser ou não ser...


Shadow


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