terça-feira, 13 de maio de 2014


MÃE, QUANDO PERTENCER É VIVER

Os laços que damos no cadarço dos sapatos, dão firmeza ao caminhar. Calçam a nossa existência. Sem eles ficamos descalços e, com o tempo, suscetíveis de nos machucar ao andar. 
É preciso criar laços em tudo que fazemos.
Como disse Clarice Lispector: Pertencer é Viver!!
 
Domingo último foi o Dia das Mães. Val ganhou da pequena Bia um belo cartão feito de cartolina, desenhado com flores e um colorido arco-íris. Esse cartão certamente será guardado, ao lado de outros, com todo o cuidado e carinho dentro de uma gaveta, e com o passar dos anos, ele ali estará como que a recordar o que de fato tem valor na vida.
A data pode ter se tornado comercial, o apelo ao consumo é grande, segundo dizem os especialistas, depois do Natal é a segunda em faturamento, mas o afeto, aaaah... o afeto e o vínculo da mãe com seu filho, esse não tem preço!
Quando o amor se torna sagrado não há nada que o supere.
Vários foram os sentimentos da Val nesse domingo, dentre eles a troca amor e  ternura entre beijos e abraços com a Bia e a imensa saudade de sua mãe, hoje no plano espiritual.
Envolvida por esse clima de nostalgia, Val começou a ler as mensagens de felicitações que recebeu pelo Dia das Mães, e, dentre elas, uma se destacou, a que Bela, a prima sempre tão alheia a essas comemorações, lhe enviou. Ela trazia a foto de uma garotinha deitada sobre um desenho no chão, com um pequeno texto:
Val, essa garotinha perdeu a mãe na guerra e, no chão frio do pátio do orfanato desenhou com giz a figura de uma mulher. Depois se deitou sobre a ela, como a buscar aconchego num colo que não existe mais; tendo o cuidado de deixar os sapatinhos de fora, em respeito. O amor tem dessas coisas, faz do outro sagrado. Em tempo: Não sei se a história de fato é verdadeira, só sei que ela é real para milhares de crianças espalhadas pelo mundo vítimas de guerras e de outros males. A Bia é afortunada por ter você. Feliz Dia das Mães!!! 
Val se deteve na imagem daquela garotinha e na frase da Bela: “o amor faz do outro sagrado”. Tão simples, tão terno, tão puro, tão denso e tão verdadeiro, pensou...
- Esse é o retrato de uma relação que ninguém consegue explicar, concluiu.
O mundo contemporâneo pode estar mudando seus contornos, mas o afeto entre mãe e filho, esse, sempre será único, ímpar, insubstituível e inquebrantável. O vínculo entre mãe e filho é para a vida toda.
Coberta por um turbilhão de sentimentos, Val começou a falar baixinho com Da. Dirce, em oração:
- Mãe, quando estou com a Bia lembro tanto de você! Saudades de quando me pegava no colo para acalmar minhas inseguranças e fortalecer a minha confiança; não faz ideia da falta que me faz. Às vezes é tão difícil acertar! Como é que a senhora sempre sabia o que fazer? Qual era a sua fórmula secreta? Poderia ter me contado antes de partir.
E olhando para a imagem da menina órfã, sussurrava...
- Às vezes me sinto como a garotinha dessa foto... Será que se a desenhar no chão, ajuda?
Se Val tivesse prestado atenção, poderia ter ouvido uma voz falando baixinho ao seu ouvido:
- Querida filha, eu também nunca tive certeza de nada nem uma receita pronta, apenas me deixei guiar pelo coração.

Não importa a época ou o lugar, as mães sempre terão um lugarzinho no coração marcado pela presença delas, o cheiro, o som do riso ou o calor do abraço apertado.
Ao nascer temos um colo, somos abraçados e permanecemos presos a um cordão umbilical invisível, que nunca se rompe. “Somos o outro do outro”; para ser “um eu”, deve haver o “outro eu”, que nos une e diferencia. Um “eu” capaz de se separar e preservar, e um outro "eu" capaz de se entregar, que chamamos de mãe. Essa é a mágica, o cadarço que dá firmeza ao caminhar e que "calça a nossa existência".
Ainda olhando para a emblemática foto da menina órfã, Val decidiu compartilhá-la com seus amigos no Facebook...


 
Ah.... essas mães sempre tão exigentes com elas mesmas, culpadas, inseguras, focadas nas coisas negativas... tão maravilhosamente guerreiras e intensamente amadas por seus filhos...

Shadow/Mariasun

 
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