quinta-feira, 22 de maio de 2014




SÃO PAULO UMA CIDADE À DERIVA






Um movimento sem cabeça, sem uma reivindicação legítima conseguiu parar a maior cidade da América Latina.

Por dois dias um grupo de dissidentes do Sindicato de Motoristas e Cobradores instalou o caos na cidade, enquanto a Prefeitura, Secretaria dos Transportes, da Segurança Pública e CET, Sindicato assistiam inertes e passivamente o martírio e desolação dos paulistanos.

Ônibus eram parados por pequenos grupos, fazendo os passageiros descerem; outros fechavam terminais de ônibus, estacionavam e atravessavam os coletivos nas ruas e nas principais avenidas para bloquear e dificultar a passagem dos carros; pneus de alguns veículos eram esvaziados e as chaves jogadas fora para serem impedidos de circular ou serem manobrados. Anarquia generalizada!

Pessoas ficavam aglomeradas nos pontos sem saber o que fazer ou para onde ir, outras caminhavam pelas ruas sem saber se teriam forças para chegar ao destino; crianças, mulheres grávidas, pessoas doentes com consultas marcadas, idosos, estudantes, trabalhadores, todos, sem distinção, perplexos, entregues à própria sorte, vítimas e reféns da falta de autoridade e organização da cidade.

Milhares de passageiros de ônibus sem condução, à deriva, abandonados e à mercê de oportunistas com minivans, motos, táxis que se aproveitando do desespero e cansaço da população, cobraram o que quiseram para levá-los a lugares próximos ao trabalho ou de suas casas. Os que se aventuraram no metrô e trens, coitados, ficaram horas esperando exprimidos em estações super hiper lotadas, enquanto o trânsito batia recorde de congestionamento.

Onde estão as leis? Onde estão as autoridades desta cidade?

Transporte público é serviço essencial e, por ser essencial, a lei estabelece deve haver aviso prévio em caso de paralisação e os sindicatos devem garantir, durante o período de greve, a prestação desses serviços de forma regular e continuada. 

É muito fácil ao presidente do sindicato dizer que a paralisação foi provocada por um grupo dissidente e lavar as mãos. Ora, alguém que represente um órgão de classe deve ser capaz de dialogar com a oposição e a dissidência, se não tiver força e jogo de cintura para isso, melhor que entregue o cargo. Simples assim.

Além do mais onde estavam o prefeito e secretários ante a flagrante violação do direito de ir e vir da população? Onde estava o comando da CET que não utilizou seus guinchos para retirar os veículos que obstruíam as principais vias da capital? É bom dizer que a CET não tem apenas a função de aplicar multas a quem fura o rodízio de veículos.

É sabido que em sua essência toda e qualquer greve tem natureza eminentemente política, pois quase sempre envolve questões salariais e de melhores condições de trabalho. O que é de se estranhar é que isso tenha ocorrido após uma assembleia entre patrões e empregados que aprovou o percentual de reajuste salarial.

Como assim? Um grupo não concorda com o acordo firmado e ao invés de discutir isso na assembleia resolve levar a discussão pras ruas, com quem não tem nada a ver com isso?

Onde está o Ministério Público de São Paulo e a Polícia Militar para apurar responsabilidades e prender quem está fazendo parar toda uma cidade e um serviço indispensável à população?

Por mais legítimo que seja o movimento paredista em face das reivindicações, não se pode admitir que a comunidade usuária do transporte coletivo sofra as consequências e prejuízos, por vezes irreparáveis, decorrentes da paralisação de sua prestação. Aliás, quais são as reivindicações desses dissidentes?

O terceiro dia de paralisação dos ônibus iniciou com algumas empresas com os portões fechados, apesar da determinação judicial de que 75% (setenta e cinco por cento) da frota deveria circular nas ruas.

Onde está o poder de “cumpra-se” das decisões judiciais?

A treva! 
O que se viu nestes dois últimos dias em São Paulo é reflexo da falta de representação, comando e de autoridade que vivemos em todas as esferas. Quem nos representa  deveria inspirar-se mais no lema da bandeira nacional: “ordem e progresso”, hoje uma utopia, meu caro amigo...
                                                                                                                          




Shadow/Mariasun


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