segunda-feira, 16 de março de 2015




O BRASIL NÃO É A VENEZUELA, ASSIM COMO, SÃO PAULO NÃO É O HAITI

 



A semana começa com o Brasil sendo notícia de primeira página nos principais jornais do mundo e com o sentimento genuíno do “orgulho de ser brasileiro” representado por quase três milhões de brasileiros espalhado pelas ruas do país de norte a sul, de leste a oeste. Somente na capital paulista, um milhão de pessoas, não é pouca coisa, não!!! Sem esquecer daqueles brasileiros, que atendendo ao chamado do Movimento vem pra Rua, difundido nas redes sociais, se aglomeraram em Lisboa, Londres, Bruxelas, Paris, Nova Iorque, Miami, Sidney, Santa Cruz de La Sierra, Asunción, Buenos Aires...

Não tem como negar que este domingo, 15 de março de 2015, entra para a história como o Dia Nacional pela luta da Democracia no Brasil. Dia 15 de março, o dia em que os brasileiros foram às ruas, dando uma lição de cidadania e democracia não só no Brasil, mas em todos os continentes. Coloriram de verde e amarelo cada pedacinho das grandes capitais e cidades do interior, e, do exterior, e marcharam pacificamente contra o estelionato eleitoral das últimas eleições.

Não é por acaso que quando se esperava que o protesto saído das redes sociais, ficasse concentrado em São Paulo, tomou grande parte do norte e o nordeste, chegou às mais remotas cidadezinhas do interior e até àqueles que apesar de não morarem mais aqui, ainda guardam no peito um coração que pulsa com as cores do Brasil. O povo foi às ruas demonstrar sua indignação contra as mentiras, a corrupção, os tarifaços, a impunidade, o corte nos direitos trabalhistas. Nossos irmãos do norte, nordeste e do exterior, juntaram suas vozes ao clamor do sul e sudeste, formando um só coro, cantando, emocionando e entoando o Hino Nacional Brasileiro: “Verás que um filho teu não foge à luta...”. Povo porreta esse, quando se sente traído!!!

A nota dissonante do dia ficou por conta do pronunciamento do Ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, e, Miguel Rosseto, Ministro da Secretaria Geral da Presidência, ambos, pinçados para falar em nome de Dilma Rousseff, e que ficaram batendo cabeça um com o outro durante suas falas, talvez pelo efeito ensurdecedor de mais um panelaço, buzinaço e vaias. Do que foi dito por eles nada a destacar, a não ser a infeliz declaração do Ministro Miguel Rosseto de que “aqueles que foram às ruas não eram eleitores da presidente Dilma”. Reproduzindo, mais uma vez, o cinismo que tem sido a marca do PT nos últimos doze anos, na vã tentativa de menosprezar as manifestações democráticas do dia, tratando-as como a "reunião de um grupo de inconformados e insatisfeitos com a derrota nas urnas". Quanta prepotência! Quanto descaso de quem deveria cuidar da Secretaria da Presidência articulando políticas de desenvolvimento e promovendo o diálogo com a população! Alíás, Dna. Dilma, com uma assessoria dessas não é de estranhar que a senhora se encontre na lamentável situação em que está! Depois não reclamem do panelaço e buzinaço, viu!!!

Ah, Srs. Ministros da Justiça, José Eduardo Cardoso e da Secretaria Geral da Presidência, Miguel Rosseto, aprendam a lição: em certos momentos é melhor calar. Ontem poderiam apenas tem parabenizado o povo brasileiro pela demonstração de civilidade e democracia, ordem e maturidade que demonstraram nas ruas, assumindo o compromisso de atender aos anseios da população no que tange à transparência e ao combate à corrupção. Ponto. E vamos combinar, para isso, bastaria apenas a Presidente ter vindo a público e ter dito essa meia dúzia de palavras, ao invés de ter mandando dois mensageiros em seu lugar. O momento não é de se esconder, não. É de enfrentamento. Não sabe brincar, não desce pro play!!! Dar satisfações ao povo é inerente ao cargo que ocupa, Sra. Presidente, não adianta mandar meninos de recados pra ficarem trombando entre si.

Pois é, ultimamente seu partido, o PT, não tem dado uma dentro, não é mesmo? Veja no que deu vender o fantasioso, torpe e mentiroso Programa de Governo do João Santana com fins meramente eleitoreiros. Afinal, não era ele que iria Governar, seria a senhora! Seu erro e o do seu padrinho político, o Lula, foi subestimar o povo, a partir do pressuposto de que existe um Zé povinho que é cegueta, otário e manipulável; a certeza de que a dicotomia mais que ultrapassada em pleno século XXI entre pobreza e uma elite branca, a fictícia cisão regional entre o norte e o sul e o Bolsa Esmola seriam suficientes para manter a política da enganação, do engodo, do blefe e da roubalheira, depois do último domingo, nunca mais será a mesma.

Perdeu PT! Perdeu!

Isso fica claro quando se olha para a Manifestação do dia 15 tendo como contrapartida a manifestação do dia 13, esta organizada às pressas para “desestabilizar” a que aconteceria no domingo, orquestrada pelo Lula e delegada ao companheiro “pau pra toda obra”, João Pedro Stédile. Em desespero de causa, organizaram um desorganizado “exército” formado por desempregados e por haitianos despachados do Acre para São Paulo, que mal sabem se expressar, mas já chegam à capital paulista com a carteirinha de filiação ao PT. Em tese, seria um ato de apoio ao Governo articulado pelo próprio (des)governo, que para garantir a presença dos "manifestantes" pagou R$ 35,00 a cada um que compareceu mais um lanchinho pra aguentar ficar segurando um balão ou plaquinha com a estrelinha do PT ou balãozinho da CUT ou  MST, vulgo, Bolsa Protesto. Enfim, nem isso deve ter sido muito atrativo, o movimento dos “companheiros” logo se desfez, sem ter acrescentando nada, apenas um dinheirinho no bolso de alguns e garantido o almoço do dia para quem participou.  

Moral da história: Enquanto a manifestação do dia 13, pró Dilma Rousseff, ficou reduzida a R$ 35,00 ou a um Big Mac; a Manifestação do dia 15, em prol do Brasil, não teve preço!

E por falar em haitianos e no Acre... Já está ficando feia e descarada essa remessa de haitianos para São Paulo. O governador Tião Viana deveria se preocupar mais com as denúncias sobre o suposto conluio dele com empresas da construção civil em seu Estado, feitas pelo Secretário Estadual de Habitação, e deixar o Governador Geraldo Alckmin administrar com tranquilidade os problemas do seu Estado, que já são muitos.

É uma afronta ao Estado de São Paulo o que está acontecendo. Na ausência de votos no sul e sudeste, vale relembrar que o PT nas últimas eleições foi rejeitado até no berço onde nasceu, em São Bernardo do Campo, tenta agora inovar, importando eleitores em potencial, revivendo na época moderna a história dos antigos navios negreiros, criando uma linha de tráfico para influenciar nos rumos políticos do país. Sem dinheiro e perspectiva, os haitianos são colocados em ônibus do Acre para São Paulo, passando fome, frio e largados à própria sorte na rodoviária de São Paulo. Vergonha alheia!

Não poderia haver uma medida mais inconsequente e irresponsável. O Brasil não faz divisa com o Haiti e, apesar disso, 20 mil haitianos sem documentação e sem autorização já entraram irregularmente no país pelo Acre, onde o PT é (des)governo. Quem forneceu a logística para essa invasão??? Quem está financiando a entrada ilegal desses haitianos em território nacional??? Em qualquer país do mundo as fronteiras regulam e fiscalizam rigorosamente a entrada de imigrantes e de estrangeiros, fazendo o controle severo desde doenças infecto contagiosas à identificação de criminosos. Aqui não. A entrada é franqueada e até estimulada. São colocados em ônibus, despachados feito mercadorias, e, abandonados nas ruas de São Paulo, sem casa, sem documentos, sem dinheiro.

Aqui uma ressalva: Nossa solidariedade ao sofrido povo haitiano assolado pelo terremoto de 2010. Ocorre que, infelizmente, nós não somos a solução. O problema do povo haitiano exige um esforço conjunto de várias Nações. Estima-se que quatro mil haitianos chegaram a São Paulo em um ano, e continuam chegando. A cidade tem suas limitações. Sofre com a crise hídrica, com o desemprego eminente na indústria automobilística, com as enchentes e moradias em área de risco, com a insuficiência da rede hospitalar, com a carência de escolas e creches. É uma cidade por si só, saturada.

O que dói é que esses haitianos que chegam a São Paulo estejam sendo utilizados como massa de manobra. Quando o Brasil assumiu a força militar da ONU no Haiti, a obsessão do Lula era vir a ocupar um assento no Conselho Permanente da Organização das Nações Unidas. A estratégia parecia simples. Porém, passada uma década, essa pretensão está cada vez mais distante. Por que será, não??? 

O fato é que a presença do Brasil no Haiti não trouxe praticamente benefício algum, a não ser criar uma linha de importação de eleitores e de manifestantes para o PT nas regiões onde ele anda carente de votos. 

E... a contar pelas Manifestações do último domingo... um Haiti não será o bastante para perpetuá-lo no poder.



 Sonhar mais um sonho impossível
Lutar quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender...


 
Shadow/Mariasun Montañés



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