sexta-feira, 14 de agosto de 2015

A REGRA DO JOGO EM BRASÍLIA





Aqueles que estão aguardando a estreia da nova novela global: A REGRA DO JOGO, talvez ainda não tenham atentado para o novelão exibido na terra dos conchavos: Brasília. Os últimos capítulos têm sido kafkianos e impactantes!!!
Em meio a jantares palacianos e cafés matinais, peças do poder Legislativo e Judiciário, ora torres bispos e cavalos, tem se movimentado conforme interesses escusos de um partido político para blindar o rei e a rainha do xeque-mate esquadrinhado pelo povo, os peões. Quem disse que peão não pode colocar o rei em xeque? 

Roteiro algum de João Emanuel Carneiro seria capaz de superar ou sequer engendrar trama tão sórdida e mirabolante como a que está posta hoje no tabuleiro da nação, cujo desdobramento não tem qualquer precedente na historia deste país.

Quem pensa que em Brasília (local do assentamento de um partido político que loteou as esferas do poder e os principais meios de comunicação) o pensamento é o respeito às leis e à Constituição, está enganado. Os próprios representantes da Suprema Corte do Brasil, aqueles que deveriam defender a ordem jurídica do Estado, se curvam diante dos caprichos e ações criminosas daqueles que lutam para perpetuar-se no poder, a qualquer custo. O que impera é um jogo de interesses e regras próprias, pensados conforme as conveniências e mordomias num cenário político, econômico e social que rui feito um castelo de cartas. 

O jogo é indecente, imoral e descarado pra qualquer um ver.
O Brasil atravessa uma grave crise política, econômica, moral e ética, com a derrocada de valores e da justiça. Escândalos de corrupção têm atingido nevralgicamente o centro do poder, arrastando com ele empresários e as instituições públicas, enquanto os ânimos da população azedam e o impeachment da presidente se apresenta como a única saída plausível para a governabilidade, punição aos corruptos e retomada do crescimento. 

Não apenas ela, Dilma, a presidente está em xeque, mas, o projeto de poder bolivariano do Foro São Paulo arquitetado pelo Lula.
A princípio, ignorando e dando de ombros às sucessivas denúncias de corrupção da Operação Lava Jato envolvendo o Partido dos Trabalhadores (PT) e da prisão de seus correligionários como José Dirceu braço direito do Lula e João Vaccari Neto tesoureiro do partido, Dilma e sua corte começaram a se preocupar quando outros fatos se sucederam, foram revelados e passaram a ser investigados, a saber: abuso do poder econômico e político durante a campanha eleitoral que passou a ser apurado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), podendo resultar na cassação da chapa eleita; pedaladas fiscais que podem levar à reprovação das contas da presidente pelo Tribunal de Contas da União (TCU) com o seu consequente afastamento da Presidência; vários pedidos de impeachment apresentados na Câmara dos Deputados que podem ser apreciados a qualquer momento, basta Eduardo Cunha colocá-los em pauta; queda vertiginosa da popularidade da presidente, na marca de 71% de rejeição e subindo, superando até a de Fernando Collor na véspera do impeachment; clamor crescente da população nas ruas e nas janelas com panelaços pedindo o imediato afastamento de Dilma, bem como, a total perda de credibilidade do seu governo no mercado internacional.
Diante disso e em meio a mais um buzinaço e bater de panelas durante o programa político do PT, acuado, Lula resolveu derrubar as peças do tabuleiro e mudar as regras do jogo.

Foi assim que, Dilma nada afeita a encontros sociais, por três dias seguidos passou a exercer o papel de "boa" anfitriã recebendo no Palácio do Planalto para jantar Renan Calheiros, Michel Temer, o Presidente da OAB, Ministros de Estado e do Judiciário, com o fim último de marcar a posição de cada um no tabuleiro, enquanto os jantava.
No day after, apesar dos conchavos na calada da noite, chamou a imprensa partidária amiga para falar da legitimidade das urnas, num discurso sobre a moralidade que destoa da imoralidade com que tem exercido o cargo. Michel Temer, por sua vez, dando continuidade à mesma jogada, repetiu a fala monocórdica da estabilidade e legitimidade das urnas, mesmo sabendo que não há qualquer possibilidade de estabilidade para um governo que entregou o país a uma quadrilha, cooptou com a roubalheira e saque aos cofres públicos, fraudou, mentiu, corrompeu; que não conta mais com o apoio popular, e, que é o principal responsável pela estagnação da economia e desesperança dos brasileiros.

Enquanto isso, Lula convocava a Marcha das Margaridas em Brasília para desestabilizar Eduardo Cunha (opositor declarado do governo), marcha esta financiada com dinheiro público: R$ 400 mil da Caixa Econômica Federal, R$ 400 mil do BNDES e R$ 55 mil da Itaipu Binacional. Pois é... as manifestações pró Dilma tem um preço e uma tabela de pagamento. Ou seja, nem mesmo o Mensalão, Petrolão, Eletrolão e outros ãos foram ou são capazes de coibir o desperdício de dinheiro público.

Dilma, por seu lado, promovia encontros palacianos com militantes dos chamados movimentos sociais, MST, CUT, UNE a fim de acirrar os ânimos perante as eminentes manifestações populares agendadas para o próximo dia 16. A destacar desse encontro, a fala de Vagner Freitas (presidente da Central Única dos Trabalhadores - CUT), que fazendo coro à fala anterior de Lula quando ameaçou "colocar o exército de João Stédile (líder do MST) nas ruas", convocou a todos ali reunidos para "ir às ruas, entrincheirados, com armas nas mãos, se tentarem derrubar a presidente Dilma Rousseff".  Isso, numa clara referência às manifestações programadas em todo o país para o próximo domingo, sem que tenha sido inibido ou advertido pela Presidente, ante a inadequada declaração de guerra e de incitação ao crime. Quem cala consente, não é mesmo? É.... um tigre nunca perde as suas listras e nem um terrorista o gosto pela luta armada.
As últimas jogadas lulopetistas regadas a caviar e champanhe com o dinheiro do povo, já produziram alguns resultados:
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu a análise do recurso da impugnação do mandato de Dilma ante o pedido de vistas do Ministro Luiz Fux; os Ministros do Tribunal de Contas da União (TCU) concederam mais prazooooooo para Dilma explicar as “pedaladas fiscais”; Renan Calheiros, a fina flor de Alagoas, mencionado nas investigações da Lava Jato, até alguns meses atrás ferrenho opositor do governo, virou "amiguinho de infância" do Planalto e assumiu da noite pro dia o status de “Ministro da Estabilidade do Governo”, isso mesmo da estabilidade!!!  Ele, que antes era contrário à recondução de Rodrigo Janot ao cargo de Procurador Geral da República (leia-se: a pessoa que, por função de ofício, iria incluí-lo no inquérito da Lava Jato), hoje, passou a apoiar e a aplaudir a indicação de seu nome por Dilma, sendo o principal articulador da aprovação de Janot para o cargo pelo Senado; ao tempo em que  "milagrosamente", ele (Renan Calheiros), escapará de ser denunciado pelo recebimento de propina do petrolão, assim como Dilma Housseff, que apesar de ter sido citada 11 (onze) vezes nas delações da Operação Lava Jato, se depender de Rodrigo Janot, sequer será investigada, mesmo tendo sido presidente do Conselho Administrativo da Petrobras quando o esquema de corrupção começou, e, este ter prosseguido e se aprimorado durante o seu governo.

E pra fechar o pacote, ontem à noite, a sobremesa foi servida ao povo brasileiro, sem que este (o povo) sequer tenha sido convidado a participar dos convescotes palacianos: O Ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu que as contas presidenciais devem ser julgadas pelo Congresso em reunião conjunta de deputados e de senadores, muito embora a prática seja a de realizar essas votações em separado. Entenda-se: mesmo que o Tribunal de Contas da União (TCU) venha a recomendar a rejeição das contas de Dilma Rousseff, o que poderia levar ao seu impeachment, a votação das contas pelo Congresso ficará ao critério e arbítrio de Renan Calheiros, que já declarou "não ser do interesse do país colocar em votação as contas da presidente". 

Olha que lindo!!! É como dizem por aí: uma mão lava a outra. Aliás, essa é uma regra que nunca muda, não é mesmo?
Pois é, o jogo é pesado e sujo. A atual crise moral e política não foram capazes de fortalecer as instituições democráticas do país, nem mesmo os partidos de oposição ao governo. Pelo contrário, os poderes do Estado que deveriam ser autônomos e independentes dão sinais de estarem cada vez mais a serviço e vassalagem de um partido político, que aparelhou o Estado e está institucionalizando a impunidade. É inacreditável!!!

A regra do jogo hoje é minar as forças daqueles que se opõe ao jogo, como Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados; daqueles que querem frear a derrama de dinheiro público, como o juiz Sergio Moro; e, dos muitos que querem transparência e decência na política, estes, o povo, em nome do qual o poder deveria ser exercido. Povo, que após ter perdido a fé em dias melhores, parece ter acordado diante das promessas vazias e da sua dependência por migalhas. Ao menos isso!!! 

O jogo que rola em Brasília, é o jogo das trevas.


Sem palavras!!!


 Shadow/Mariasun Montañés 


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