domingo, 17 de abril de 2016



DOMINGO HISTÓRICO PARA OS BRASILEIROS: A VOTAÇÃO DO RELATÓRIO DO IMPEACHMENT DA PRESIDENTE DILMA ROUSSEFF



Ontem à noite pedi uma pizza. Liguei para a pizzaria de sempre, a Rosa me atendeu. Ao finalizar o pedido, ela disse: - aceita borda recheada de brinde, do que você prefere? Sorri, ao tempo em que agradecia. Enquanto aguardava a chegada do entregador, fiquei pensando naquele gesto de gentileza, genuíno, que acabava de se destacar em meio ao egoísmo e à podridão que nos cerca, em especial, na política.

Esse é o retrato do povo brasileiro. Um povo trabalhador, generoso e gentil. Muito embora seja visto pelo mundo afora como ladino, malandro e ladrão.

Não. Essa é a imagem de seus governantes que se confunde com a de todos os brasileiros, para nossa infelicidade.

Hoje, domingo, 17/04/2016, é um dia histórico. É o dia de dar um basta àqueles que hipotecaram e arruinaram o país para perpetuar-se no poder. É o dia da faxina na política embasada no “é dando que se recebe”. É o dia da votação do RELATÓRIO DO IMPEACHMENT para que este tenha continuidade no Senado.

Até um mês atrás, quando Dilma decidiu terceirizar o poder nomeando Lula para o cargo de Primeiro Ministro da Casa Civil, o impeachment era algo inimaginável, apesar de haver um número surpreendente e expressivo de brasileiros se manifestando nas ruas pedindo Fora Dilma e Fora PT.

Bastou um áudio divulgado pelo Juiz Sergio Moro para a história tomar outro rumo. O rumo da moralidade, da ética e da Democracia. Nesse áudio Dilma dizia estar enviando ao Lula o TERMO DE POSSE DA CHEFIA DA CASA CIVIL, assinado por ela, antes da posse, para que ele pudesse escapar de um iminente pedido de prisão, que era dado como certo, alegando foro privilegiado. Ardil, tentativa torpe e deliberada de obstrução da Justiça, conduta reprovável e criminosa para uma Presidente que deveria acima de tudo respeitar e defender a ordem e as leis. Há quem diga que esse pedido de fato existiu e, que aquilo que se tornou um depoimento na sede da Policia Federal em São Paulo, no aeroporto de Congonhas, na verdade era para ter sido a condução coercitiva de Lula até Curitiba. Jamais saberemos o que se passou nesse dia.

O que conhecemos é o teor daquele áudio que Lula encerrou com um “tchau querida”, que viralizou nas redes sociais.

Esse “tchau querida” e o teor da conversa, indignou e fortaleceu o clamor das ruas e a ele sucedeu o PEDIDO DE IMPEACHMENT POR CRIME DE RESPONSABILIDADE DA PRESIDENTE de autoria de Janaína Paschoal, Miguel Reale Júnior e do fundador do PT, Hélio Bicudo. Dentre os principais argumentos da denúncia crime: as “pedaladas fiscais” e as violações à Lei de Responsabilidade Fiscal, além de Decretos assinados pela Presidente sem a devida previsão orçamentária e autorização da Câmara dos Deputados. Pra resumir: o caos que se instalou no país, se deve ao fato das contas haverem sido “maquiadas” pelo Governo com fins meramente eleitoreiros, por conta de um poder que passando por cima dos demais poderes, conduziu à recessão o país, causou a falência de sua mais importante e lucrativa estatal, a Petrobras, fechou e sucateou hospitais e escolas e levou à ruína empresas e empregos; acabou com as conquistas sociais e a estabilidade econômica ganhas à duras penas e aniquilou com a esperança dos brasileiros em dias melhores. Um Governo que viu a crise instalar-se sem fazer nada para revertê-la, estando apenas focado em usar do maniqueísmo para garantir-se no poder.

Sem saída, Lula chamou suas milícias travestidas de movimentos sociais (CUT, MST, MTST, UNE...) e militantes do meio artístico que se beneficiam dos recursos da Lei Rouanet para empunharem cartazes e levantarem a bandeira do “não vai ter golpe”. De fato essa frase é verdadeira. Não vai ter golpe, vai ter impeachment previsto na Constituição Federal, ao qual no passado por muito menos (um Fiat Elba) já foi submetido o ex-presidente Fernando Collor de Mello. Como disse Janaína Paschoal, hoje, sobram crimes de responsabilidade.

Inconformado, o Palácio do Planalto e o PT recorreram ao Supremo Tribunal Federal onde Dilma Rousseff afirmou contar com cinco Ministros fiéis e partidários. Aliás, foi contando com essa fidelidade que a Presidente tentou blindar seu companheiro Luis Inácio Lula da Silva com o cargo na Casa Civil e, às pressas, deu status de Ministro ao seu Chefe de Gabinete, Jaques Wagner, visto que a prerrogativa de função teria o poder de repassar todas as investigações contra eles do Juiz Sergio Moro para o STF, por conta do foro privilegiado.

O Supremo Tribunal Federal de fato não a decepcionou. Ao final do ano passado, decidiu – contrariando o Regimento Interno da Câmara e o procedimento adotado no caso de Fernando Collor – que o Pedido  de Impeachment teria que ser apreciado e recebido pelo Presidente da Câmara e não pelo Plenário. Era o xeque-mate em Eduardo Cunha. Contava-se que a partir dessa decisão o pedido de impedimento da Presidente poderia ser barganhado em troca das investigações e denúncias de lavagem de dinheiro que tramitam na Procuradoria Geral da República, que resultarão na cassação do mandato do deputado, tal como já se fizera com sucesso, com Renan Calheiros (Presidente do Senado), hoje spare do governo. Ocorre que, diferentemente do senador, Eduardo Cunha não se se deixou acuar ou aceitou tornar-se refém de Lula ou Dilma e, num ato suicida, recebeu a denúncia. Foi assim que ele se tornou o malvado favorito dos brasileiros, continua a jogar a favor do impeachment no tabuleiro da Câmara dos Deputados e, entrou para a história do Brasil como o membro do Parlamento que deu início ao processo de impeachment da Presidente Dilma.

Rodrigo Janot, Procurador Geral da República, vulgo, engavetador geral, também não decepcionou o partido e passou a promover uma verdadeira cruzada contra Eduardo Cunha, procurando irregularidades e crimes em todas as gerações e antepassados de sua família, na vã tentativa de criar-lhe empecilhos e retardar o processo de impeachment, enquanto mantêm engavetadas as inúmeras investigações (muitas mais que as do Presidente da Câmara) contra Renan Calheiros, talvez na tentativa de que prescrevam.

Recebida a denúncia, mais uma vez o Supremo Tribunal Federal correspondeu ao que era esperado pela Presidente. O Ministro Roberto Barroso, ignorando em seu Parecer que os poderes da República (Legislativo, Executivo e Judiciário) são independentes entre si, conduziu a Suprema Corte a legislar, função esta que é e deveria ser exclusiva do Poder Legislativo, e contrariando a Constituição Federal e o Regimento Interno da Câmara dos Deputados, determinou que a escolha dos nomes da Comissão do Impeachment, que iriam compor e analisar o pedido de impeachment, não mais seria feita pelo Plenário da Câmara, mas pelas lideranças de cada partido, diga-se, onde a base governista contava com mais partidos de apoio.

Com essa decisão, não havia muita esperança de que o impeachment passasse sequer por essa Comissão.

Foi quando Lula decidiu agir conforme a sua natureza e, dando uma banana para a liminar concedida pelo Ministro Gilmar Mendes que o impediu de assumir a Chefia da Casa Civil e às investigações da Policia Federal que podem resultar em sua prisão, deu um chega pra lá em Dilma Rousseff e assumiu “de fato” a Presidência da República. Seu primeiro ato foi transferir a sede do governo central para um andar do Golden Tulip em Brasília, e dali, em reuniões espúrias transformadas em balcão de negócios, passou a leiloar cargos de todos os escalões do governo e a oferecer altas somas em dinheiro a deputados ávidos por se corromperem, em troca de ausências no dia da votação ou de votos contra o impeachment. Tudo sem pudor e à luz do dia, em flagrante, sistemática e sucessiva prática de crimes contra a Administração Pública por corrupção ativa e passiva.

Quando parecia que o impeachment seria sepultado pelo dinheiro, ambição e cobiça, eis que, diante dos delitos e desatinos a que Luis Inácio Lula da Silva recorreu nessa feira em que se transformaram as reuniões hoteleiras, até os mais venais dos deputados coraram e se sentiram envergonhados e, a base aliada começou a se esfacelar e debandar. Quem era contra o impeachment passou a apoiá-lo e quem estava indeciso passou para o lado daqueles que amam o seu país. Sim, existe um limite e um código de honra até mesmo entre ladrões. Só o Lula crê que o poder é um jogo de vale-tudo ilimitado.

E assim, 137 dias após haver sido protocolado o Pedido de Impeachment da Presidente Dilma Rousseff, o relatório foi aprovado pela Comissão e encaminhado para a votação do Plenário. Chegou-se assim a este domingo histórico, quando em sessão extraordinária, a Câmara dos Deputados dará andamento ao impedimento da Chefe do Poder Executivo pelo voto aberto; ou seja, os brasileiros ainda poderão saber quais são os deputados que representam os seus anseios e aqueles que são traidores do seu país.

O povo novamente está nas ruas vestindo o verde e amarelo, as nossas cores, para dar o seu “tchau querida”.
O povo legítimo, reunido espontaneamente por um mesmo objetivo,
não aquele mobilizado à base de pão com mortadela e custeado pelos movimentos sociais que mantém uma relação autofágica com o PT e o governo.

O país está em festa. Nas janelas dos edifícios e nos carros que transitam nas ruas é possível ver a bandeira do Brasil tremulando ao vento. O vento que traz a esperança de mudanças e de um futuro mais decente e ético, fazendo ecoar a estrofe do Hino Nacional: “Dos filhos deste solo és mãe gentil, pátria amada Brasil”.

A pátria amada, boa e generosa como seus filhos.

E por falar nisso... A pizza chegou com a borda recheada de catupiry e ainda acompanhada de um lindo pratinho.

Ah, e antes que eu me esqueça. Essa votação não acabará em pizza.

 “Tchau querida!!!”. 






Shadow/Mariasun Montañés


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