domingo, 14 de agosto de 2016




O QUE UM ATLETA NECESSITA PARA ALCANÇAR A MEDALHA DE OURO OLÍMPICA? - PARTE I



A cada quatro anos os melhores atletas do mundo se encontram para competir em várias modalidades.

Por algumas semanas sob o tremular da bandeira olímpica com seus cinco anéis entrelaçados, simbolizando a união dos cinco continentes, os melhores esportistas do mundo conseguem dar um show de superação, respeito, tenacidade, motivação, e acima de tudo, de fraternidade. Não tem como ficar impassível ou deixar de admirar o grande espetáculo esportivo que se desenha por duas semanas em tatames, quadras, areia de praia, mar, traves, cavalos...

É como se um portal se abrisse para irmanar as Nações dos quatro cantos do planeta sob um mesmo teto: sem guerras, sem conflitos, sem diferenças raciais ou religiosas, apenas, o duelo e o combate de forças para saber quem é o melhor dentre os melhores.

Muitas são as histórias que vão se revelando durante a competição, porém, todas elas envolvem horas e horas de treino, sacrifícios, dedicação, garra e determinação. Nesta Olimpíada já é possível destacar alguns momentos que, sem dúvida, serão inesquecíveis...

O adeus das piscinas do extraordinário Michael Phelps após haver conquistado cinco medalhas na Rio-2016 (quatro de ouro e uma de prata), um recordista de pódios e títulos, que acumulou em cinco Olimpíadas, outro recorde, um total de 27 medalhas olímpicas (22 de ouro). Apesar de ser o melhor de todos os tempos, nunca foi visto como um atleta individualista ou alheio à sua delegação, pelo contrário, sempre foi participativo e colaborador, sem fazer questão de ser líder. Sem dúvida um MITO, um exemplo de grandeza, carisma e de humildade, que encantou o público. Um grande atleta, um grande homem.

Enquanto uns dão adeus, outros chegam para ficar.

A pequenina ginasta Simone Biles. Ela não apenas se movimenta com graça, leveza e agilidade, ela voa. É simplesmente extraordinária! Conhecendo-se um pouco mais da história dessa jovem atleta, fica-se ainda mais admirado. Quando tinha apenas três anos de idade sua mãe perdeu a guarda dos quatro filhos para o Estado, por seu envolvimento com álcool e drogas. Simone e outra irmã foram morar com os avós, sendo separadas dos irmãos mais velhos, que ficaram sob os cuidados de outra pessoa da família. Aos seis anos de idade já fazia espontaneamente alguns movimentos que encantavam e sinalizavam para o seu futuro promissor. Naquela menina despertava o sonho de um dia ser uma grande ginasta. Não tardou a ser descoberta pela técnica que está com ela até hoje. Após anos e anos de treino, dedicação e milhares e milhares de repetições para alcançar os movimentos perfeitos, entre um duplo mortal com o corpo esticado e um giro em rotação, alcançou a sua consagração na Rio-2016.

A história de Simone Biles poderia ser a história de muitos atletas olímpicos brasileiros, que também passaram por várias dificuldades para chegar entre os melhores de seu país e encontraram forças para seguir em frente e superar os obstáculos da vida. Muitos de nossos atletas também escaparam de caminhos tortuosos e nebulosos, perseveraram na busca de um sonho e deram a volta por cima, apesar da falta de incentivo do Estado e de patrocínio. São mais que atletas, são sobreviventes do esporte!!! Se hoje Biles brilha com suas medalhas no peito, é porque apesar de todas as agruras, ela vive em um país que acredita e investe em políticas voltadas para a educação e desenvolvimento de práticas esportivas.

No Brasil, os atletas vivem mendigando por patrocínio para poderem participar de competições ou até mesmo comprar um tênis para poder treinar. Muitas vezes eles conseguem seguir em frente porque a família se mobiliza na vizinhança e nas redes sociais para levantar algum dinheiro com os comerciantes do bairro ou incentivadores do esporte e, com o valor arrecadado, poder fazer uma viagem para competir em outro Estado ou até mesmo almoçar durante as competições. A distância entre a rotina e estrutura de treinamento de atletas brasileiros com atletas de outros países é abissal.

O quadro de medalhas do Brasil, país sede da Olimpíada, é um reflexo disso. E, muito embora a imprensa escrita e televisiva esteja omitindo, até agora os medalhistas brasileiros não são atletas comuns, são militares, que muito nos orgulham. É dentre os muros das Forças Armadas que eles têm condições de treinar com equipamentos adequados e de desenvolver o seu talento. Até o momento além de Rafael Silva, bronze no judô, têm-se também as judocas Mayra Aguiar (bronze) e Rafaela Silva (ouro, na foto), além de Felipe Wu, prata no tiro. Das quatro medalhas ganhas pelo Brasil na Olimpíada até aqui, as quatro são de jovens atletas militares, portanto, a nossa Rio-2016 está mais para Jogos Militares.

Tudo indica que seremos ouro na categoria de pior desempenho de um país a sediar uma Olimpíada.

Este é um país onde o foco para o esporte está errado. Investem-se altas cifras no futebol, porque como o mundo sabe e pelo que se viu das investigações envolvendo a FIFA e a CBF rouba-se muito: jogos são fraudados, árbitros são comprados, resultados obedecem aos interesses das bolsas de apostas; dirigentes cartelizaram o esporte num esquema criminoso de fraudes, lavagem de dinheiro e extorsão. E, é nessa modalidade “altamente lucrativa” que o Brasil investe em detrimento das demais modalidades esportivas que hoje penam em busca de apoio e patrocínio. É assim, porque esta é uma Nação de corruptos que não valoriza os verdadeiros talentos que têm, pelo contrário, cuida de endeusar ídolos de barro, jogadores de futebol que jogam no exterior, faturam o que querem até com publicidade e estão cada vez mais distantes de seu país.

Sem patrocínio, muitos de nossos atletas dependem da premiação em torneios para bancar as viagens e das “vaquinhas” entre familiares, amigos e simpatizantes; exceção feita àqueles que têm a sorte de ir para o exterior jogar numa NBA ou Liga de vôlei italiana. Se eles perdem, para continuar, têm que tirar o dinheiro do próprio bolso. A dificuldade de manter a rotina de treinos e competições faz com que o sonho de uma medalha na Olimpíada fique cada vez mais distante. Para quem não entendeu ainda porque estamos em 26º. no quadro geral de medalhas sendo o país sede dos Jogos Olímpicos, essa é a explicação.

O que um atleta necessita para alcançar a medalha de ouro olímpica?

Necessita acima de tudo respeito, investimento, apoio,  incentivo do seu país e de uma política nacional voltada para o esporte, porque o sonho, ah.... o sonho, a vontade de superação, a garra, a dedicação, a determinação, esses ele já têm.

"No esporte, existem campeões e existem heróis. Campeões vencem porque são bons no que fazem e tiram proveito particular de suas vitórias. Heróis vencem quando menos se espera, superam seus próprios limites, e quando recebem os louros dividem suas vitórias com uma nação inteira..." (AUGUSTO BRANCO)




Dos filhos deste solo És mãe gentil,
Pátria amada, Brasil!



Shadow/Mariasun Montañés


Licença Creative CommonsO QUE UM ATLETA NECESSITA PARA ALCANÇAR A MEDALHA DE OURO OLÍMPICA? - PARTE I de MARIASUN MONTAÑÉS está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.



Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...