sábado, 22 de abril de 2017



A INCONFIDÊNCIA DA REPÚBLICA EM ÉPOCA DE DELAÇÕES




Estamos vivendo um abril despedaçado. Não apenas aqui, no Brasil, mas no mundo. Tudo está conturbado ao redor. Armas químicas na Síria, sangue nas ruas da Venezuela... a podridão do poder revelada nas delações de Emílio e Marcelo Odebrecht. E que delações!!!

Este mês nos trouxe a Páscoa para relembrar do Cristo crucificado e a crença na Ressurreição; neste final de semana, o feriado de Tiradentes e morte, enforcado por seus ideais de liberdade e independência e, logo teremos o dia em homenagem ao trabalhador, endividado e desempregado.

Talvez, seja um período de reflexão e de chamamento para que não nos esqueçamos da História. Afinal, o senso comum diz que "para se entender o presente, é preciso que se conheça o passado".

Por ora, as mentes mais curiosas poderão perguntar: Como a Inconfidência Mineira se aproxima dos dias atuais? E é a partir do que indagamos, que alguns paralelos começam a ser traçados, até perceber que, assim como Tiradentes, sempre fomos massa de manobra de um poder que nos assalta, vilipendia e visa apenas seus próprios interesses. Para afinal concluir que entre o período colonial e o republicano, entre as Minas Gerais do século XVIII e a Brasília de hoje, dois pontos nos unem: a corrupção e as denúncias contra ela.

Quem eram os inconfidentes afinal? Eles representavam uma elite local insatisfeita, alguns tinham como principal atividade o contrabando de ouro e de pedras preciosas; uma elite que estava perdendo o poder e os ganhos econômicos ao ser substituída dos postos de autoridade e de mando por pessoas da confiança do rei de Portugal. Diga-se: a corrupção grassava no período colonial, na Corte de Dom João VI.

A história contada nos livros de que a Inconfidência teve início a partir da cobrança de impostos abusivos e anseios de liberdade, é uma meia verdade. A derrama, a cobrança do “quinto do ouro” pela Coroa Portuguesa, tributo devido sobre as riquezas extraídas, foi apenas o estopim para dar início ao movimento, que visava garantir os privilégios políticos e econômicos de uma elite da capitania de Minas Gerais. E Tiradentes, o alferes e dentista, Joaquim José da Silva Xavier, foi o mártir ideal para representar os ideais de Independência, de uma época de efervescência intelectual e política.

No entanto, apesar das ideias Iluministas de Tiradentes que o inspiraram a liderar a Inconfidência Mineira, o pano de fundo da insurreição eram os interesses de um grupo privilegiado (contratadores de impostos, clérigos, militares, contrabandistas...), ressentido por amargar perdas econômicas em suas atividades altamente lucrativas, como a corrupção e o contrabando de riquezas. É minha gente, naquela época (1792) postos políticos já eram usados em benefício próprio.

Se vivo fosse, Tiradentes, um idealista do seu tempo, se levantaria contra a derrama de dinheiro público dos nossos dias. Dizia ele que “Minas era rica e ficava pobre por causa do arrocho tributário, do monopólio comercial e dos roubos dos governadores e seus protegidos”. Hoje ele bradaria nas redes sociais: “O Brasil é rico e está ficando pobre por causa.. dos roubos dos governadores e seus protegidos”. Ele seria a voz do povo...  que foi calado, enforcado. E é exatamente esse o sentimento dos brasileiros que hoje lutam pelo fim da corrupção, mas se vêem diante da forca cada vez que os políticos (muitos deles sob suspeição), à revelia, se propõem a votar em caráter de urgência Reformas, Lei de Abuso da Autoridade, Lei da Migração... "Libertas que sera tamen" "Liberdade ainda que tardia"... 

Se uma analogia pudesse ser feita com o momento atual, não é difícil identificar que a Corte Portuguesa e os grupos privilegiados daquela época atuavam como os políticos de agora, em especial, como o Partido dos Trabalhadores (PT), que no exercício do poder foi responsável pelo loteamento das instituições, distribuição de cargos, privilégios, barganhas e benesses. Porém nem o Brasil Colônia se compara ao maior esquema de corrupção e de lavagem de dinheiro jamais visto na História do Brasil e do mundo, em pouco mais de uma década de Lulismo.

Isso é o que de forma contundente tem sido elucidado a cada delação nas investigações em curso. E quando se fala em delação, voltamos a nos lembrar de Tiradentes... e Joaquim Silvério dos Reis, o delator mais célebre da História até aqui. Sim, ele fez uma espécie de “delação premiada”, ao entregar os planos dos inconfidentes, que ele conhecia minuciosamente, bem como, o paradeiro do alferes Joaquim José da Silva Xavier (Tiradentes), para em retribuição ter perdoadas suas dívidas pela Coroa Portuguesa. Interessante é perceber que o Joaquim Silvério do Reis de hoje pode vir a ser Antonio Palocci, Ministro da Fazenda do (des)governo Lula, caso este venha a revelar tudo o que sabe sobre o dinheiro que foi pilhado dos cofres públicos e a sua destinação, selando em definitivo o destino do chefe da quadrilha criminosa, Lula. Se o fizer, entrará para a História como o delator dos delatores. 

Ao longo do tempo o sentimento das pessoas em relação aos delatores e delatados mudou. Joaquim Silvério dos Reis, sempre foi odiado e visto como um traidor, que levou à forca Tiradentes. Hoje, as delações estão mais vivas do que nunca. Ao tempo que causam asco e indignação pelo seu conteúdo, elas levantam expectativas e esperança de ver os culpados indiciados, processados, sumariamente julgados e presos. Antes de prosseguir cabe fazer uma distinção histórica: Tiradentes era um idealista que serviu a uma causa, Lula é um ladrão que roubou em causa própria.

Impressiona ver que, tanto no século XVIII quando no XXI, o interesse continue a ser o ganho ilícito, a apropriação da coisa pública para fins privados, por meio de uma elite hoje formada por políticos, agentes públicos, empresários e artistas que vivem como páreas à custa do Estado.. Este deve ser um país muito rico para ainda continuar produzindo riquezas....

É estarrecedor reconhecer que por mais de uma década o verdadeiro caudilho deste país com amplos poderes, gerais e irrestritos, para traçar os rumos do Brasil, aprovar e vetar leis, inclusive traçar investimentos no âmbito internacional, e sem haver sido eleito pelo voto popular, atendia pelo nome de Emílio Odebrecht. A ele, Luís Inácio Lula da Silva e depois, Dilma Rousseff, delegaram a Presidência da República e privatizaram o país ao empresário, para em troca auferirem com seus apadrinhados altíssimos lucros$$$$..... à custa dos interesses do povo e do país.

A dura constatação de tudo isso é que a Constituição, nossa Lei Maior, não rege a todos da mesma forma. Até o maior Poder da República tem licença para ser privatizado em detrimento do patrimônio público. A lei não é igual para todos. Em qualquer país democrático onde há o respeito à lei, Emílio e Marcelo Odebrecht cumpririam pena de prisão perpétua sem direito a condicional e ainda teriam que pedir perdão aos brasileiros, ao invés de se portarem nas respectivas delações como homens que apenas gerenciavam negócios. Não, eles não gerenciavam negócios; eles gerenciavam a corrupção, a pilhagem da coisa pública e a ruína de um país. É muito diferente! O resultado disso são Instituições corrompidas. O exemplo é a queda de braço entre os Poderes, Ministros das Cortes Superiores e os Juízes de Primeira Instância; Procuradoria Geral da República e a Polícia Federal; Partidos Políticos e Empresários.

Quando as Instituições perdem o rumo, o país segue à deriva e o povo para o sacrifício. De alguma forma, somos todos Tiradentes neste momento, clamando pelo saneamento do Estado e o fim da corrupção na política.

A esperança dos órfãos do sonho Brasil se projeta para 2018, esse será o ano da nossa verdadeira Páscoa, com a ressurreição do voto popular para o extermínio dos políticos corruptos, que a Justiça não quer ou não é capaz de alcançar.




Órfãos do sonho Brasil
Busquem os restos nas sobras da vida
Nas cinzas da esperança...


Shadow/Mariasun Montañés



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