domingo, 10 de setembro de 2017



POLÍCIA FEDERAL: A LEI É PRA TODOS!


Já podeis da Pátria filhos
Ver contente a Mãe gentil...

Sempre gostei da musicalidade do Hino da Independência...

Já raiou a liberdade
No horizonte do Brasil...

Pensando bem, não apenas da sua musicalidade, mas dos seus versos também.

Ah... como seria bom ver contente a Mãe gentil e o horizonte do Brasil!!!
Onde está esse horizonte?

No último dia 7 de setembro, o Brasil completou 195 anos de sua Independência. Em 1822, Dom PedroI às margens do Ipiranga, selou o destino deste país.  O grito de Independência ou Morte veio meio que por acaso, durante a subida da serra da comitiva imperial, depois de muita ressaca e estripulias do Imperador com Domitila, e uma forte dor de barriga. A espada erguida nas mãos de um Príncipe mulherengo, inseguro e imaturo, que contava apenas com a simpatia do povo, simbolizava a separação do Reino do Brasil do Reino de Portugal. Ah.... Portugal e o quinto em impostos cobrado duramente da população... Naquela época o Brasil sobreviveu graças à terceirização do Governo a José Bonifácio e à Imperatriz Maria Leopoldina, mulher do Imperador, austríaca, de forte personalidade, inteligente, culta e bem preparada...

A História do Brasil desde então parece haver caminhado sempre por caminhos tortos...

Foi-se a Monarquia, veio a República, o Governo Militar, sucedido pelo “Império” da atual República, que hoje cobra duramente dois quintos em impostos do que cada um produz, que se esvai em corrupção.

E o horizonte??? Bom... com o passar do tempo foi ficando cada vez mais distante e menos poético. Ao longo de décadas, ele tem sido embaçado por escândalos de pilhagem aos cofres públicos, malas de dinheiro, dólares na cueca, anões do orçamento, empreiteiras, bois, propinodutos, delações, impunidade... uma avalanche de desmandos que na atualidade movimenta as redes sociais, os noticiários e a Polícia Federal.

Talvez, a Polícia Federal e as Operações que ela deflagrou ao longo dos últimos anos, seja o que mais se aproxime do horizonte dos brasileiros hoje.

A população que lotou as ruas de verde-amarelo para pedir o impeachment da pior e mais incompetente Presidente que o país já teve, hoje está lotando as salas dos cinemas. Em cartaz, um filme que é uma catarse, que conversa com as pessoas e vai de encontro a uma realidade que todos querem entender, discutir, modificar.

POLÍCIA FEDERAL: A LEI É PARA TODOS!

O protagonismo é da Lava Jato, e o enredo gira ao redor daqueles que não desistiram, apesar das dificuldades e do desânimo.

A partir da primeira cena, um silêncio reverencial toma conta da plateia, enquanto os bastidores da maior operação de combate à corrupção no mundo são revelados e o público é arrebatado pra dentro da tela, à medida que a atual história do Brasil se desenvolve. Afinal, também somos personagens nesse roteiro.

O filme primorosamente dirigido por Marcelo Antunes, nos mostra o fio onde tudo começou. Um único fio, que ao ser puxado... fez a República, que abrigava vários Imperadores corruptos, bon vivants, cínicos, mulherengos, cachaceiros, ambiciosos, tremer.
Após dez anos, uma equipe gabaritada e talentosa da Polícia Federal se reencontra em Curitiba. Ivan, interpretado pelo sempre talentoso e envolvente, Antonio Calloni, inspirado no delegado Igor de Paula, que conduz a trama; Beatriz, interpretada por Flávia Alessandra, inspirada na delegada Érika Marena; Júlio César, interpretado pelo excelente Bruce Gomlevsky, inspirado no delegado Márcio Anselmo.

Em meio a pilhas e pilhas de processos inacabados, um é pinçado por um investigador visceral, impetuoso e arrojado: tráfico de drogas e lavagem de dinheiro por meio de um posto de gasolina em Brasília: o fio!!!

Apesar da extensão e ramificações desse fio ser conhecida do grande público, ser notícia obrigatória na net, TV, radio, Roda Viva, mesas redondas, o filme tem o condão de mostrar a história sobre outra perspectiva: a da mão por trás do fio. E é aqui que está o grande mérito da obra.

A cada fala, cada cena, é possível acompanhar o impacto e a incredulidade daqueles poucos que em uma sala, começavam a destrinchar num quadro a intrincada teia de corrupção e de poder envolvendo doleiros, empreiteiras e políticos.

Golpe de sorte??? Não.

Um trabalho de perspicácia, inteligência, estratégia, persistência, tenacidade e, principalmente, de equipe. Não fosse isso, o fio puxado, hoje não passaria de um fio solto, merecedor quiçá de uma nota de rodapé no jornal local sobre a apreensão de uma carga de drogas transportadas em um caminhão, já esquecido.

O Império do crime não contava que em meio ao lamaçal de corrupção nos mais diversos escalões de todas as Instituições, em alguma parte deste país havia uma Instituição ciosa do seu trabalho, não corrompida pelo dinheiro sujo: a Polícia Federal. 

De nada adiantaria, no entanto, a mão puxar o fio, se não houvesse um Juiz capaz de agir e aplicar a lei. Os diagramas da corrupção ficariam restritos à indignação dos agentes e a um mural, inócuo e sem respostas. Foi aí que surgiu outra mão: aquela que segurava a caneta, a do Juiz Sergio Moro, incorporado com correção por Marcelo Serrado.

Ah... o poder por trás de uma caneta!!!

Se a caneta na mão de um político corrupto pode ser pior que a de um assaltante a mão armada; a caneta na mão de um juiz probo tem o poder de tirar a caneta da mão do político corrupto, prender, autorizar escutas, sentenciar, condenar.
O filme nos leva a refletir sobre a importância desse trabalho harmônico e conjunto, sem o qual, as várias fases da Operação Lava Jato não teriam acontecido. Já estamos na Operação Cobra, a 42ª. fase.

Os Imperadores do poder e do crime não acreditaram que a Lava Jato sobreviveria ou teria vida longa, e ela aí está, de 2014 a 2017, sem data para acabar. O filme, no entanto, estende sua narrativa até a condução coercitiva de Lula ao aeroporto de Congonhas e à liberação do áudio entre a conversa nada republicana entre Dilma e Lula, em março de 2016. Ary Fontoura é o intérprete do Lula na fita.

Os personagens que representam empresários, políticos e doleiros, mostram de forma contundente o escárnio, o deboche, o descaso, a empáfia, com que inicialmente a atuação dos agentes da Policia Federal foi vista por esses reis da corrupção. Erraram ao apostar que envelopes com dinheiro ou amigos poderosos os livrariam do cárcere.

À medida que as cenas se sucedem, sutilmente, o filme mostra o choque daqueles, que presos, começam a ver gente graúda dividindo o mesmo espaço que eles. É aí que se dá o insight, quando os mais espertos começam a perceber que “uma carteirada”, ou um “- Vocês não tem ideia com quem estão se metendo!”, não seriam suficientes para intimidar e tirá-los da prisão, porque a lei é igual para todos. O rei estava nu. Não à toa, nesse instante, a plateia quebra o silencio reverencial e ri com satisfação. Momento catártico para quem tem o gostinho de ver, e assim imaginar e saborear, empreiteiros, políticos, doleiros, serem retirados do espetacular conforto de suas casas erguidas e mantidas com o dinheiro roubado, para serem colocados em celas ínfimas uns ao lado dos outros, onde o sinal de status e conforto é um travesseiro e colchão decentes. Imagens impagáveis!!!

Acertou quem apostou que as delações seriam apenas uma questão de tempo...

E elas aconteceram.
Ansiando reduzir a pena em caso de condenação, alguns resolveram cooperar com a Justiça, confessando seus crimes e apresentando provas e documentos, porém... com uma desfaçatez de causar ânsia ainda hoje, inclusive, ao ver as cenas repetidas no filme.

Apesar do roteiro ser uma narrativa dos acontecimentos envolvendo a Lava Jato e as ações policiais, ao mostrar em uma das últimas cenas o Juiz Sergio Moro sendo ovacionado por pessoas comuns agitando bandeiras verde-amarelas quando seu carro se aproxima do Fórum, é feito um link entre a Operação Lava Jato e os brasileiros. De fato, não apenas somos sugados pra dentro da tela, fazemos parte dela.
  
Não é por acaso que o público permanece sentado até o final dos créditos, com aquele gostinho de quero mais, enquanto imagens do filme e da realidade se alternam e as luzes da sala do cinema se acendem, e para surpresa geral, uma inédita cena faz menção a um novo caso de corrupção antes que a tela se apague... o gancho para uma provável continuação. Pois que venha a POLÍCIA FEDERAL: A LEI É PARA TODOS II!!!


A Operação Lava Jato de Curitiba hoje é um Símbolo Nacional, tal qual, a Bandeira e o Hino Nacional, tendo atravessado as fronteiras e o oceano. Ela não apenas revelou a corrupção nos meandros do poder ao Brasil e ao mundo, mas despertou nos brasileiros o espírito de cidadania, a importância do voto, levou a política aos lares, escolas, universidades... ruas; fomentou a gana por Justiça, a união entre os brasileiros, o anseio por um país melhor e menos corrupto. O filme veio prestar um tributo a isso. Estão de parabéns todos os envolvidos, inclusive os atores que aceitaram participar do filme, pela coragem de se jogarem num projeto que retrata um momento tão delicado e emblemático do país. Parabéns também aos personagens reais!!!

Brava gente brasileira!


De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto. (Rui Barbosa)



A homenagem que os brasileiros prestaram à Polícia Federal no último 7 de Setembro (07/09/2017):



 Orgulho define!!!



Levantamento dos resultados da Operação Lava Jato em 31 de agosto de 2017:

Desde o começo da operação, por exemplo, houve 158 acordos de colaboração premiada firmados com pessoas físicas e 10 acordos de leniência. As 165 condenações aplicadas a 107 réus somam 1.634 anos, sete meses e 25 dias de pena. Já foram contabilizadas oito acusações de improbidade administrativa contra 50 pessoas físicas, 16 empresas e um partido político, exigindo o pagamento de R$ 14,5 bilhões. O valor total do ressarcimento, multas incluídas, é de R$ 38,1 bilhões.




Shadow/Mariasun Montañés


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