segunda-feira, 7 de junho de 2010



O ÁLBUM DE FIGURINHAS DA COPA
DO DUDU




 

Vocês já repararam que as pessoas tendem a colecionar os mais diversos objetos?

Tive uma amiga que costumava colecionar sapos em cerâmica. Isso mesmo, sapos! Uma outra, anjos; a filha da minha amiga Andréia papel de carta colorido e postais, e o seu caçula bonecos do McDonalds; o meu pai era um colecionador de moedas; minha mãe tinha predileção por paninhos de crochê; quando criança, montei uma coleção de selos, enquanto meu irmão se dedicava às bolinhas de gude (uma mais linda que a outra); passado algum tempo, passei a colecionar o álbum de figurinhas do Amar é...

Como não amar esse casalzinho fofo, que em cada envelopinho trazia uma frase, um pensamento sobre o amor?

O que leva as pessoas a isso?

Para alguns puro divertimento, para outros um simples hobby, um vício ou até uma atividade cultural. Sei lá.
O que se sabe é que uma coleção sempre começa de forma simples, e acaba exercendo um inexplicável fascínio à medida que vai crescendo, ganhando forma e conteúdo.

Aliás, como entender que, apesar dos inegáveis atrativos e modernos meios de entretenimento como os video games, internet, orkut, youtube,...o ato de colecionar o álbum de figurinhas da Copa tenha se tornado uma febre nacional?

Talvez a explicação esteja no prazer palpável à medida que cada página vai sendo preenchida, isso sem falar na incrível sensação de realização ao ver o albúm completo, e daquele delicioso gostinho de quero mais, que certamente irá se repetir dali a quatro anos.


Tinha como o Dudu ficar fora dessa?
É, o Dudu, aquele que é apaixonado por futebol, que pretende ver a abertura da Copa do Mundial de 2014 no Morumbi, aquele que adora uma onda, lembra?

Pois é, ele agora entrou numas de colecionar as figurinhas do Álbum da Copa. Anda fazendo o maior auê na escola e na vizinhança. “Tem repetida aí?”, “Vamos bater figurinha?”, é o que mais se ouve no recreio da escola entre alunos e professores. Sim, porque essa febre não é só privilégio do Dudu, tem contagiado a todos sem distinção de sexo ou idade.

No caso do nosso pequeno amigo, a coisa deve vir de família, já que seu pai também era um colecionador, e antes dele, o seu avô. Aliás, na estante do quarto de estudos tem um lugar especial para os primeiros Álbuns da Copa, hoje verdadeiras relíquias. Já são 60 anos de tradição, desde a Copa do Mundo de 1950. A coleção do pai do Dudu começou na década de setenta, quando ainda tinha que passar cola nos cromos.Quem sabe estudos futuros não venham a comprovar, que a mania de colecionar também pode ser hereditária?

Para Dudu, ir até a banca de jornal com o dinheiro da mesada passou a ser o maior divertimento do momento. Com grande expectativa, vai abrindo os pequenos envelopinhos, um a um, garimpando entre as figurinhas inéditas das repetidas. E o prazer, então, ao completar uma página! Ah, esse ele não conta pra ninguém!

O chato são as tais das repetidas quando ainda faltam 360 pra completar o álbum! Descolado como é, descobriu que o jeito seria trocar, e quantos mais points tivesse para fazer isso, melhor. Logo percebeu que a escola era pouco pra conseguir o seu intento, muito embora, o pai, claro, o ajudasse levando sempre um bolinho de figurinhas no bolso, pra trocar com os colegas de escritório na hora do almoço.

Depois de muito pensar, resolveu montar um esquema com o jornaleiro da esquina e juntos organizaram aos finais de semana encontros com colecionadores do álbum em frente à banca. Espalhou a novidade, inclusive, para os seus amigos no Orkut. Bom negócio pros dois, diga-se de passagem!

Não satisfeito, pesquisou daqui dali, e descobriu que no vão do MASP grupos estavam se encontrando também, aos finais de semana, pra trocar as tais figurinhas da Copa. Muito bem, esse seria o seu programa de sábado com o pai.

E pra lá foram os dois. Até aí não se sabe quem estava mais ansioso, se pai ou filho. No primeiro sábado, Dudu conseguiu trocar 80 figurinhas, sendo que 32 foram com o Beto, um garoto, quase da mesma idade, que ele conheceu ali e que estava acompanhado pela mãe. Os dois ficaram amigos naquela manhã, não se sabe se porque o Beto tinha a figurinha prateada que o Dudu tanto queria, ou se por uma sintonia mútua. Enquanto eles iam de grupo em grupo garimpando, seus pais começaram a conversar enquanto aguardavam o fim daquela jornada.

Em pouco tempo, mãe de um e pai de outro, descobriram que tinham muito em comum, inclusive que estavam separados havia mais ou menos o mesmo tempo. Bom, nem é preciso dizer que a afinidade e simpatia entre eles foi grande. Terminada a troca, os quatro se despediram até o sábado seguinte.

E, não deu outra, ao retornarem no fim de semana seguinte, não é que tornaram a se encontrar? Aliás, cá entre nós, passaram a semana à espera desse momento, tanto os meninos quanto seus pais. Dudu, é claro, completou o álbum naquele mesmo dia; do montinho de sobra deu para o Beto as figurinhas que este precisava, tendo ficado ainda com 217, que ele vendeu por R$ 0,10 cada ao jornaleiro, garantindo com isso a compra do DVD das Copas, que agora ele passou a colecionar. Para o Beto ficaram faltando apenas 12 figurinhas, sendo certo que na próxima semana, na hora do recreio, logo terá completado seu álbum também.

Para comemorar a façanha do Dudu, afinal completar um álbum de 640 figurinhas em um mês, não é tarefa fácil nem para um Golias, os quatro foram almoçar no Restaurante do Masp. Quem olhava de longe podia ver, naquela mesa, uma família divertida, alegre e feliz.

É ao que parece colecionar figurinhas não é apenas um hobby, pode mudar vidas!




E você já completou o seu álbum?



Shadow/Mariasun



Creative Commons LicenseO ÁLBUM DE FIGURINHAS DO DUDU by MARIASUN MONTAÑÉS is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 3.0 Brasil License.




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