sexta-feira, 27 de agosto de 2010




A 55a. FESTA DO PEÃO DE BARRETOS



Os frequentadores do blog da CANDINHA DE CORPO E ALMA sabem que a blogueira (a Maria Rita), é apaixonada pelo interior, música sertaneja e pela Mariah Carey.

Mora na Capital de São Paulo por uma questão de conveniência e sobrevivência, pois ainda guarda no coração os bons momentos da infância vividos no campo. Seu pai tinha um pequeno sítio nas proximidades de Ribeirão Preto, onde a família costumava passar as férias. Era um mundo à parte, um pedacinho do paraíso. A casa com varanda, o celeiro, o ribeirão correndo próximo à casa, a plantação com os pés de laranja primorosamente enfileirados, a pequena pastagem - bem verde - para as duas vacas, Mimosa e Filó, que diariamente davam o leite, do qual sua mãe ainda fazia manteiga e queijo. Ah, e tinha também o Corisco, seu cavalo, filho da égua Encantada.

Não se sabe se ela aprendeu primeiro a andar ou a montar. Quando aquele pequeno pônei nasceu, Seu José fez um cercadinho, para que ela pudesse cavalgar sem correr o risco de que ele desembestasse pela pradaria, levando embora a pequena amazona.

Com o tempo, Maria Rita foi se desprendendo do passado, veio para a Capital, disse adeus ao Corisco, ao Seu José, e, por último, à sua mãe. Hoje vive num kitinete, no Centro de São Paulo. Quando a saudade vem, consegue aplacá-la ouvindo música sertaneja. Seu pai era um violeiro de mão cheia, era comum à noitinha, depois do jantar, ele pegar a viola e começar a tocar. Não havia nada melhor para encerrar o dia. Até as estrelas lá no céu, ficavam mais iluminadas.

Essas lembranças são tão fortes que chegam até a doer (o que já deu matéria pra vários posts lá no CANDINHA). No momento, entre idas e vindas, divide sua história com o Kaká, paulistano da gema. Ele cresceu na cidade, adora tudo o que ela lhe oferece, a vida noturna e cultural, os teatros, a arrojada arquitetura da Avenida Paulista, a diversidade gastronômica. Está atento a tudo o que acontece em São Paulo, das novidades aos lançamentos, às palestras, cursos de especialização e de aperfeiçoamento. "A mais democrática das cidades, que não se cansa de acolher gente de todas as tribos", assim define com orgulho Sampa. Além, é claro, de sua proximidade do belo litoral paulista e de uma cidade serrana que ele adora - Campos do Jordão. Em mais de uma ocasião, subiu a Serra só pra tomar aquele delicioso chocolate quente da Pracinha Central, que só Campos do Jordão tem. Isso sem contar o acervo de imagens, que a pequena cidade generosamente lhe proporcionou. Prato cheio para um fotógrafo!

Aliás, não fosse a inoportuna intromissão da Alicinha, é pra lá que ele e Maria Rita teriam ido no último final de semana. Estava tudo planejado, iriam na sexta. Entre um fondue e um chocolate quente, passeariam agarradinhos pelas ruas e jardins cuidadosamente arborizados; no sábado, não perderiam a apresentação da magistral Orquestra Sinfônica; no domingo, andariam no trem que corta a cidade e vai até o Alto da Serra, para apreciar uma das paisagens mais lindas já vistas.

Mas...como a prima de Maria Rita tem um talento nato pra gorar os planos alheios, em especial do Kaká, lá foi ela enfiar na cabeça da outra, que o bom era irem pra Barretos, por conta da Festa do Peão e do show da Mariah Carey, no sábado. Já estava tudo arranjado. Três amigas tinham alugado uma casa pra seis pessoas pro final de semana. Ora, faltavam mais três: ela, Maria Rita e Kaká! Por que não?

Kaká tentou pontuar que eles teriam que comprar ingressos pro show com cambistas (uma fortuna), que viajar com pessoas que não se conhece é complicado (ainda mais amigos da Alicinha), que a cidade nesta época é poeira só e muito empurra-empurra,.... Não adiantou, seus argumentos caíram por terra. "Kaká, Barretos é a capital country do Brasil, onde se realiza a maior e mais tradicional Festa do Peão da América Latina, sabia? E ainda mais, este ano tem a Mariah Carey!" enfaticamente argumentou a doce Maria Rita. De forma que, foi decretada a ida de todos a Barretos, pra Festa do Peão de Boiadeiro.

Como as três amigas da Alicinha, Pri, Jô e Fá, não se sentiam seguras para dirigir na estrada, por 424 kms, combinaram que todas iriam no carro do Kaká, afinal iam pro mesmo lugar e ele tinha uma Pajero, ampla e confortável. Tudo bem, mas ao menos poderiam tê-lo consultado! E lá se enfiaram no carro do afortunado Kaká.

Entre paradas pra comer, abastecer e ir ao banheiro, finalmente, chegaram à cidade do Peão. Era gente pra tudo que é lado! Não fosse o GPS, teriam passado o final de semana, tentando achar a casa, que ficava numa vila mais afastada do centro da cidade. Ainda bem, aqui deve ter um pouco de sossego, pensou o otimista Kaká.

Ele achava curioso esse novo modelo de hospedagem. Durante o mes de agosto algumas famílias saem de suas casas para alugá-las aos turistas, retirando apenas os seus pertences pessoais, e assim complementar a renda familiar e faturar indiretamente com a Festa.

Depois de descarregar as malas (de todas), e esperar que tomassem banho, ele se enfiou no chuveiro e lá ficou, até que aquele burburinho de vozes fosse desaparecendo aos poucos. Abriu devagarinho a porta e saiu à procura de Maria Rita, que estava na varanda. "Que silêncio, e as meninas?" "Foram pro Parque do Peão". "O que você faz aí?" "Apreciando o jardim; lá em Ribeirão eu ficava numa casa que tinha uma varanda parecida com esta. Como é lindo aqui, não?" Ele assentiu com a cabeça, somente agora se dava conta de como aquele lugar era especial.

"Você sabia que Barretos é um dos municípios mais ricos do Estado, um dos principais pólos da indústria agropecuária paulista?" "Andou estudando, é?", ironizou Kaká. "Nem foi preciso, Ribeirão não é muito longe daqui. Cansei de ouvir o povo de lá contar histórias sobre Barretos; parece que foi fundada pelos Bandeirantes e já foi conhecida como a Capital do Gado." "Pois acho que continua sendo, você reparou por quantas fazendas de gado a gente passou na estrada?" "Não é à toa que é a sede da maior Festa de Rodeio da América Latina", lembrou Maria Rita.

Abraçados, resolveram ir para o Parque do Peão, projetado por Oscar Niemeyer. chegando e com a fome da viagem, pararam pra saborear o prato típico dos peões de boiadeiro, feito de arroz carreteiro, feijão gordo, paçoca de carne e churrasco, ao som da tradicional moda de viola caipira. Uma delícia!!!

Era muita gente andando de um lado pro outro, tocando berrante, falando, gritando, comprando botas e chapéus. Eles é que não iam ficar de fora, acabaram comprando um chapéu de caubói, aderindo à moda e figurino local. "Agora sim!", disse sorrindo o Kaká, enquanto batia fotos e sua Ritinha posava pra ele.


"Olha Kaká, segundo a programação daqui a pouco começa o Rodeio em Touros, vamos pra Arena?" Ele foi, mas um tanto a contragosto, sabe bem o sofrimento a
que os animais são expostos, e das artimanhas e apetrechos utilizados para que o animal pareça bravio e se deixe subjugar. O homem é o único ser que inflige dor por esporte, refletia, enquanto os touros se sucediam na arena. Ela por outro lado, ficava admirada e fascinada pela dualidade e oposição de forças entre o homem e o animal, o poder e o controle concentrado nos braços, mãos, pés e pernas contrapondo-se ao instinto e às patas do touro bravo.

Depois de assistirem ao show de Victor e Leo, resolveram voltar pra casa. Foi quando encontraram com a Alicinha e sua trupe. Kaká não deixou de notar que havia mais um agregado ao grupo, um argentino, Pablo, Pablito para los amigos. Haviam se conhecido numa roda de dança sertaneja. "Ele veio me tirar pra dançar. Pode isso? E não é que, ao invés de tango, Pablito encara um sertanejo!!", disse Alicinha, como quem tivesse descoberto a oitava maravilha do mundo.

Mas o pior estava por vir!


Como el paisano havia chegado a Barretos, depois de viajar 1.500 kms (em dois dias), sem reserva de hotel, o coitado estava percorrendo a cidade, de ponta a ponta, desde cedo, na tentativa de encontrar um lugar para pousar. Afinal, não é de se estranhar, que nesta época do ano e a essa altura, os hotéis estivessem lotados, não é mesmo? Até que....surgiu em seu caminho...nada mais nada menos que...Alicinha, disposta a colocar em prática a política da boa vizinhança con el hermano argentino. Foram em vão os protestos do Kaká. "Então ele dorme na varanda!", sentenciou. Qual nada! Depois que Maria Rita e ele se recolheram, Alicinha acabou ajeitando um cantinho na sala para o seu mais novo amigo.

Como as atrações e o agito começariam ao final da tarde, Kaká tirou boa parte do sábado para dormir. Quando acordou, pra sua felicidade, o bando já havia debandado. Graças a Deus, repetia para si mesmo.


Enquanto isso, Maria Rita, mal conseguia conter a ansiedade. "Gente eu vou chegar pertinho da Mariah Carey!" "É bom que você aproveite mesmo, pelo preço que nós pagamos os ingressos!" "Ah, Kaká, esquece isso, pensa que essa é uma oportunidade única!"

Em meio a muita fila, empurrões, espreme daqui sacode de lá, longa espera, finalmente, Mariah Carey surgiu no palco. Ele achou a cantora um tanto quanto acabada. Já Maria Rita mal piscava, ao mesmo tempo que, cantava, chorava, gritava, assobiava. Realmente valeu a pena, só pra vê-la tão feliz!, pensava Kaká, enquanto a olhava embebecido. "Tira foto, Kaká. Capricha! Pôxa Kaká, você já fez melhor do que isso!" "Fácil dizer, quando não é você que está segurando a máquina, sendo socado e empurrado de um lado pro outro".

Até que teve um momento inacreditável durante o show. Uma moça subiu enlouquecida no palco pra tietar a cantora, sendo rapidamente retirada pelos seguranças. "Ih, aquela não é a Alicinha?!?" Kaká mal podia acreditar, ela própria! Como conseguiu tal façanha ninguém sabe, ela diz que se não fosse o Pablito, jamais teria conseguido! Vai saber!!

Domingo chegou. A ressaca era grande. Antes de pegarem novamente a estrada, ainda puderam passear um pouco pelo Parque do Peão.

Chegando em São Paulo, Kaká não acreditou quando abriu a porta do seu estúdio, Ah, a paz, essa não tem preço! filosofava enquanto consultava sua caixa-postal.

Alicinha? Bom, essa ficou lamentando o fato desses dias terem passado tão rápido e imaginando se Pablito teria encontrado abrigo, já que pretendia ficar por lá até o último dia da Festa, domingo, 29 de Agosto.

Maria Rita, por sua vez, já deitada na cama, tentava relembrar cada momento do final de semana, e começava a esboçar os posts que faria para o CANDINHA DE CORPO E ALMA. Adormeceu cantarolando
I WANT TO KNOW WHAT LOVE IS, música que a faz lembrar do Kaká e da história dos dois .....





Shadow


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A Festa do Peão de Boiadeiro ou simplesmente Festa do Peão é uma festa popular. Nela as pessoas assistem aos rodeios de touros e cavalos e apresentações musicais, assim como acontece em algumas regiões dos Estados Unidos. No Brasil há centenas de festivais desse tipo durante o ano todo, principalmente em cidades do interior do Estado de São Paulo, como Barretos, Araçatuba, Americana, Jaguariúna e Avaré. A Festa do Peão de Barretos é reconhecida mundialmente, sendo considerada uma das maiores do mundo. A deste ano acontece de 19 a 29 de agosto.


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