segunda-feira, 13 de outubro de 2014




 
O BRASIL DA DIVERSIDADE QUE O LULA E A DILMA DESCONHECEM 



 



É sabido que o povo brasileiro, em essência, foi formado a partir da diversidade; para entendê-la (a diversidade) é preciso voltar os olhos para o passado, aos tempos da colonização, quando brancos e índios, índios e negros, negros e brancos tiveram contato e passaram a conviver no mesmo pedaço de terra. 

Em essência um encontro de etnias com cultura, costumes, crenças, práticas e valores próprios, tudo junto e misturado: da culinária africana fundindo-se com a indígena e a europeia, ao catolicismo europeu que diante do misticismo, totens e símbolos indígenas e africanos, deu lugar ao sincretismo religioso; das expressões e vocabulário afro e indígena que não tardaram a se incorporar à língua portuguesa, ao gosto pela música e a dança, por vezes com forte apelo sensual, em contraste com o pudor e o conservadorismo europeu. Três raças unidas pelas diferenças, do vatapá e feijoada ao chimarrão, do frevo à moda de viola, da religiosidade ao samba e carnaval, formando um único povo, marcado pela miscigenação racial entre índios europeus e africanos: o brasileiro.

De norte a sul, de leste a oeste, em sua origem e raiz, um povo formado da integração das diferenças culturais e regionais. Basta conhecer a sua historia. 

Por essa razão é inaceitável e detestável o que o Lula e a Dilma estão fazendo para manter a estrela do PT no Palácio do Planalto.

Não, Dilma Rousseff agora não tem Marina Silva para bater. Conseguiu seu intento, implodiu e aniquilou a candidatura da adversária. Mas a estratégia do quanto pior melhor, continua; não abandonou a pretensão de impor sua reeleição por meio do medo e do terror. Para tanto, resolveu bater agora naqueles que levaram Aécio Neves ao segundo turno. Pode isso? Um candidato bater nos eleitores? Segue a fala irresponsável e inconsequente que tem ecoado nos palanques do norte e nordeste do país:

“...O sudeste não é oposto ao nordeste. Então é uma visão absolutamente preconceituosa e elitista, dizendo que os meus votos são dos ignorantes e, os dos ilustrados, são deles. É um desrespeito. Como eles não andam no meio do povo, como eles não dão importância para o povo brasileiro, eles querem desqualificar o povo brasileiro...”.

JesusMariaJosé, o Lula e a Dilma enlouqueceram? João Santana, o marqueteiro com status de ministro, não sabe o quanto um discurso desses pode ser nefasto para a unidade de um país? Na eminência de serem derrotados nas urnas querem promover uma guerra civil? Pretendem transformar o Brasil em duas Coréias?

É um desrespeito, sim. Mas para com o povo brasileiro, que sabidamente convive bem e em harmonia com as diferenças de raça, crença, cor e religião. 

Se existe alguma forma de preconceito e de discriminação, ela está única e exclusivamente na fala petista, ao dividir maliciosa e maldosamente os eleitores entre ignorantes (nordeste) e ilustrados (sudeste).  Quer dizer que andar no meio do povo, é andar no nordeste; e andar no sudeste, é andar no meio do que? Não é dessa forma, bizarra e baixa, que se ganha uma eleição, sorry. 

Atente-se que o PT foi praticamente defenestrado de São Paulo: perdeu o Governo do Estado, vendo seu candidato amargar um inexpressivo terceiro lugar; após vinte e quatro anos, perdeu a cadeira "cativa" no Senado; reduziu em oito sua representação na Assembleia Legislativa do Estado; foi derrotado no próprio reduto eleitoral e berço do sindicato dos metalúrgicos, o ABC paulista. Quem fez esse estrago? Uma “elite ilustrada”? Não, em sua grande maioria, brasileiros originários do norte e nordeste, que migraram para São Paulo para fazer e continuar fazendo a historia deste país.

Dito isso, há de se ressaltar, que a nacionalidade de qualquer um nascido nesta terra é a brasileira. Ninguém diz: sou nordestino ou "sudestino", mas, brasileiro. Aliás, muito me admira isso ser dito por alguém cuja origem não é nordestina nem brasileira, mas, búlgara. Não é mesmo, da. Dilma Russeff?

Vale relembrar que quando o povo saiu das redes sociais e foi às ruas do país, em junho do ano passado, o que se ouviu de norte a sul do Brasil foi um único grito, repetido à exaustão: “Eu sou brasileiro, com muito orgulho com muito amor...”. Esse é o sentimento, viu João Santana! Querer jogar um brasileiro contra o outro, hostilizar regiões, é por demais mesquinho e tacanho. 

Cabe ainda destacar que os eleitores, aqueles que optaram por Aécio Neves ou Marina Silva o fizeram por ansiarem mudanças, por estarem cansados de tantos anos de desmando, corrupção, bandalheira e roubalheira do governo que aí está; e, pelo alto custo dos impostos pagos que se esvaem sem retornar à população na forma de serviços públicos. Detalhe: dentre estes (os eleitores) estão: descendentes de imigrantes nascidos no Brasil, nordestinos, trabalhadores, empresários, aposentados, estudantes, jovens, idosos, pobres, remediados, ricos, brancos, negros, pardos, mamelucos... Não uma “elite branca ou ilustrada”, como levianamente o discurso petista tenta discriminar e achincalhar, até mesmo porque a elite existente hoje no país, é a dos políticos.

Esse discurso oportunista tem o fim escuso de tirar do foco os problemas que corroem o país e dos escabrosos escândalos que marcaram os últimos doze anos desse governo. É sabido que o Mensalão do PT é coisa de batedor de carteira, diante da organização criminosa que se instalou e roubou a Petrobrás por meio das “empreiteiras amigas”, que estão à frente das maiores obras públicas do país: rodovias, estádios, hidrelétricas, hospitais, escolas... Se por um lado o Lula diz estar de “saco cheio” (olha que lindo!) das delações que vinculam o PT e a ele próprio ao escândalo da Petrobrás, por outro lado, os brasileiros dizem: realmente não é só o saco que deve estar cheio, mas, também, os cofres, as cuecas, as malas, os armários, o colchão, as contas no exterior para onde foi parar o dinheiro desviado da petroleira, das obras superfaturadas e do povo. O que o brasileiro (aquele que trabalha duro para ganhar seu salário) quer é cobrar responsabilidade, decência, transparência e o fim da impunidade. Esse foi o recado dado nas urnas no primeiro turno. 

É inegável que as pessoas estão despertando de norte a sul, do nordeste ao sudeste, assim como é certo que há regiões mais pobres e carentes, inclusive nos grandes centros urbanos, por falta de investimentos do Governo nas áreas essenciais e sociais. A distribuição do Bolsa Esmola hoje já não é suficiente  para encobrir a omissão e o descaso do poder público, diante da falta de investimentos e de recursos na melhoraria da saúde pública, saneamento básico, educação, moradia... 

É inadmissível que enquanto o Governo deixa de investir em infraestrutura - hospitais, escolas, transporte público decente, metrô, rodovias, portos, aeroportos, expansão no fornecimento de energia e de abastecimento de água, transposição do Rio São Francisco, moradias, saneamento básico, ou, se e quando o faz, o faça com superfaturamento e em conluio com as empreiteiras, que hoje são sócias de fato de um partido político - o dinheiro do povo brasileiro seja investido, sem qualquer critério ou consulta, em outros países, como: 

Porto de Mariel (Cuba) US$ 957 milhões (US$ 682 milhões por parte do BNDES); Ponte sobre o rio Orinoco (Venezuela) US$ 1,2 bilhões (US$ 300 milhões por parte do BNDES); Linhas 3 e 4 do Metrô de Caracas (Venezuela) US$ 732 milhões; Projeto Hacia el Norte - Rurrenabaque-El-Chorro (Bolívia) US$ 199 milhões; Exportação de 127 ônibus (Colômbia) US$ 26,8 milhões; Hidroelétrica de Chaglla (Peru) US$ 1,2 bilhões (US$ 320 milhões por parte do BNDES); Abastecimento de Água em Lima - Projeto Bayovar (Peru) valor Não Informado; Hidrelétrica de Tumarín  (Nicarágua) US$ 1,1 bilhão (US$ 343 milhões do BNDES);  Hidrelétrica de San Francisco (Equador) US$ 243 milhões; Hidrelétrica Manduriacu (Equador) US$ 124,8 milhões (US$ 90 milhões por parte do BNDES); Metrô Cidade do Panamá (Panamá) US$ 1 bilhão; Autopista Madden-Colón (Panamá) US$ 152,8 milhões do BNDES; Barragem de Moamba Major (Moçambique) US$ 460 milhões (US$ 350 milhões por parte do BNDES); Aeroporto de Nacala (Moçambique) US$ 200 milhões ($125 milhões por parte do BNDES); BRT Maputo (Moçambique) US$ 220 milhões (US$ 180 milhões por parte do BNDES), dentre outros...

Para resumir, foram realizados mais de 3.000 (três mil) “empréstimos” pelo BNDES entre 2009 a 2014 para obras de infraestrutura em outros países, enquanto aos brasileiros faltou investimentos em serviços básicos e essenciais para a melhoria da qualidade de vida. Atente-se que muitos desses empréstimos são de fato "doações",  uma vez que jamais retornarão ao Brasil, pois é certo que uma parte do dinheiro foi se perdendo pelo caminho e a outra parte ficará à mercê do calote de alguns desses países. Que bela forma de se administrar um país, não?

É por essas e outras que o povo da diversidade mandou o seu recado na hora do voto, não, não foi uma “elite branca ou ilustrada”, foram todos aqueles que vestindo o verde e amarelo, a sua cor (que não é a vermelha), saíram às ruas nas manifestações de junho de 2013 contra os desmandos, a impunidade e a corrupção. Os brasileiros não querem um país fragmentado em regiões, mas, um país unido, governado por aqueles que lutem contra a exclusão e a roubalheira, e, promovam a integração e a cidadania.

Não é por acaso que várias lideranças políticas e personalidades de expressão tenham declarado seu apoio a Aécio Neves no segundo turno. Dentre os mais recentes, aquele que talvez mais tenha tocado nosso coração, o da família de Eduardo Campos: Maria Eduarda, João Henrique, Pedro Henrique, ao lado da admirável Renata Campos.

E pra fechar, nada melhor do que uma frase dita por Eduardo Campos, brasileiro, pernambucano, neto de Miguel Arraes, que um dia sonhou em ser Presidente da República: 

"Dá para ser melhor. E não é uma ofensa para quem está aí você dizer que dá para ser melhor. Nós queremos mais. E que bom que queremos mais, né? Isso deveria desafiar as pessoas a fazer, a quebrar o velho costume e afirmar novos valores".

Verdade... dá para ser melhor... e não há aí qualquer ofensa...



 


 Não vamos desistir do Brasil! 



Shadow/Mariasun Montañés


Licença Creative CommonsO trabalho O BRASIL DA DIVERSIDADE QUE O LULA E A DILMA DESCONHECEM de MARIASUN MONTAÑÉS está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.



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