sábado, 12 de dezembro de 2015




ROGÉRIO CENI: O ADEUS DE UM M1TO


“Um jogo de futebol não é apenas 22 jogadores medindo suas forças e habilidades, mas sim um jogo que une milhões de pessoas 
por amor a uma determinada equipe”   
(Márcio Augusto)


O Estádio do Morumbi, o Templo do São Paulo, tem sido palco e marco de grandes comemorações.

Ontem não foi diferente... quer dizer... tinha mais emoção no ar... um adeus no tremular das bandeiras, um nó na garganta na ola da torcida, um quê de nostalgia diante dos antigos craques no gramado... E que craques!!! Era a despedida de um M1to.

Mas a gente se despede de um M1to? Não. Os mitos são para sempre.

Vez ou outra, eles surgem para fazer historia, nas artes, na ciência, na política e até nos campos de futebol.

Estamos cada vez mais carentes de heróis. Se procurarmos com lupa, será difícil encontrá-los. Vivemos aos sobressaltos diante da violência, assolados pela corrupção, governados por líderes incompetentes e ladrões; sendo manipulados pela mídia que despreza a verdade; vendo a dramaturgia se empobrecer com a partida de grandes artistas sem substitutos à altura... Somos humanos. Necessitamos de bons exemplos que nos façam vibrar e crer nas vitórias.

É por isso que quando surge um gigante, cujo desempenho impressiona não apenas pelo talento, mas pela capacidade de inspirar, ele se torna mais que um ídolo, vira mito.

O São Paulo Futebol Clube teve alguns, dentre eles, Rogério Ceni. Aos 42 anos de idade chegou à surpreende marca de: 1.237 jogos pelo São Paulo; 594 partidas no Morumbi, 375 vitórias, 130 empates, 89 derrotas; 110.639 minutos em campo, 131 gols. Ufa!!! Um M1to, sem dúvida, que entrou - até - para o Guinness Book.

Foram 25 anos de títulos e de cumplicidade com a torcida tricolor: Três Campeonatos Paulistas, Um Torneio Rio-São Paulo, Duas Recopas Sul-Americanas, Uma Copa Conmebol, Uma Copa Master Conmebol, Uma Supertaça dos Campeões da Libertadores, Uma Sul-Americana e os mais cobiçados: Duas Libertadores da América, Dois Mundiais de Clubes e Três Campeonatos Brasileiros.

Se ser craque é ultrapassar limites, ele chegou lá: o goleiro virou artilheiro. Um talento incontestável e perfeccionista. Quem o conhece sabe que por anos seguidos, com método e disciplina, chegou mais cedo aos treinos para exercitar a cobrança de faltas. E como ele aprendeu a bater! Os outros goleiros tremiam ao vê-lo se aproximar da bola!

Foi sob o comando de Márcio Araújo, então auxiliar de Telê Santana, que Rogério Ceni estreou. Era um jogo contra o Tenerife, na Espanha, um amistoso pelo Troféu Santiago de Compostela, que hoje reluz no Memorial do São Paulo.

O primeiro título e o primeiro gol, no entanto, vieram ao lado de Muricy Ramalho. Aaaaah.... Muricy o que você está fazendo no Flamengo? Seu lugar é aqui!!!

Aliás, foi Muricy Ramalho quem teve mais influência em sua carreira e quem mais contribuiu para que ele conquistasse a fama de “goleiro artilheiro”, sua marca registrada. Foi o técnico quem primeiro o autorizou a cobrar faltas, após observá-lo com aquele olhar de quem entende, durante os treinamentos. Em 1997, marcou o primeiro gol, e não parou mais pra alegria da galera.

Hoje, mais do que símbolo e ícone, é reconhecidamente um M1to, basta relembrar suas fantásticas e quase impossíveis defesas ao longo desses 25 anos de carreira, que fizeram dele o número 1. 

Ontem, o torcedor sãopaulino teve mais um desses momentos inesquecíveis e que mexem com a alma tricolor: o jogo da despedida do ídolo...

De um lado, os campeões mundiais de 1992 e 1993 (Raí, Cafu, Ronaldão... haja coração!!!) isso, quando o Rogério era ainda um reserva recém promovido aos profissionais. Do outro, os campeões mundiais de 2005 (Lugano, Mineiro, Amoroso, Aloísio Chulapa... é muito talento reunido!!!), quando Ceni foi o capitão. Ambos times campeões. Ambos com Rogério Ceni. Ambos capítulos da história do futebol. De arrepiar!!!

E em campo a bola rolou: Lugano capitão (ah... quanta falta fez na zaga nos últimos tempos...), gol do Zetti (gol do Zetti? é gol do Zetti!, os goleiros do São Paulo sempre foram multifacetados) e Rogério Ceni, o M1to, cantor (cantor?!? é cantor!... um M1to pode tudo...), além do pênalti, é claro, que mais uma vez ele converteu em goooolllll!!!, levando o torcedor tricolor às lágrimas e ao êxtase... muito embora, o que menos tenha contado nessa partida, tenha sido o placar.

E foi assim que Rogério Ceni deu adeus aos gramados. O Morumbi lotado se despediu do M1to.

Acontece que mito não se despede dizendo adeus, ele se retira para começar uma nova jornada....


Parabéns campeão!!! BOA SORTE em sua nova jornada!!!



Esta é a última camisa que vou vestir na minha carreira. 
Depois, vou me juntar à torcida para ir ao Morumbi.
(Rogério Ceni)


Shadow/Mariasun Montañés



Licença Creative CommonsO trabalho ROGÉRIO CENI: O ADEUS DE UM M1TO de MARIASUN MONTAÑÉS está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.



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