quinta-feira, 1 de setembro de 2016



O IMPEACHMENT DE DILMA ROUSSEFF E OS BAOBÁS

“O que mata um jardim não é o abandono. 
O que mata um jardim é esse olhar de quem por ele passa indiferente.”
Mário Quintana)

É setembro. Hoje o Brasil inicia um novo ciclo, assim como a natureza e a primavera que se aproxima.

Talvez a tão esperada floração econômica do país demore a chegar, mas as árvores e as flores dos jardins e canteiros sempre poderão nos servir de inspiração.

O importante é que ontem as ervas daninhas que se instalaram no poder, foram arrancadas pela raiz. Dizem que voltarão a crescer e a se alastrar, porém, se preciso for, voltaremos a arrancá-las até extirpá-las do nosso convívio.

Após as retumbantes manifestações de rua os brasileiros adquiriram uma nova consciência, redescobriram que juntos somos fortes. Sim, o poder emana do povo. Essa é a certeza hoje. Não mais passaremos indiferentes pelo nosso jardim.

O impeachment de Dilma Rousseff só foi possível graças a esse novo olhar. E isso não tem volta. Aqueles que ainda acreditam que por meio de conchavos, barganha, compra de votos, troca de favores poderão governar, estão enganados. A república bananeira chegou ao fim. Aqueles que continuarem a acreditar no Reino da Babânia, não mais irão se eleger ou reeleger sequer para presidente de campeonato de bolinha de gude. O gigante acordou para cuidar do seu jardim!!!

Daqui pra frente, a Democracia não será mais mera figura de retórica, mas, um princípio vivo a ser exercido e defendido, com transparência, ética e moralidade; uma planta a ser regada para crescer e se fortalecer. Sim, o verde é a nossa cor!!! A partir de agora simboliza não apenas as nossas matas, como também, a árvore da nossa ainda jovem Democracia.

Com o PT do Lula essa árvore (ainda frágil) foi morrendo aos poucos. A duras penas e por 13 longos e intermináveis anos, aprendemos que os princípios democráticos de Direito não sobrevivem no solo árido do Foro de São Paulo ou da ditadura das esquerdas, que retira os nutrientes e as riquezas da boa terra.

Em agonia profunda, o povo decidiu se levantar para dar um basta a isso e tentar recuperar não apenas a sua dignidade, mas, o verde democrático de seu país.

Lula sempre disse se orgulhar de ser nordestino de origem humilde colocando-se como um grande o líder e de ser ele o caminho para a “Terra Prometida”. Por algum tempo, muitos acreditaram nessa esparrela. Hoje, esse discurso não convence mais, está ultrapassado, estagnou na história e, ontem, finalmente, foi enterrado por 61 a 20 daqueles que votaram pela cassação de Dilma Rousseff, sepultando assim a era lulista.

Ao contrário de Moisés, Lula sempre foi um embuste, uma farsa, um falso líder. Sua liderança não levou à libertação de um povo, mas, à submissão cega e à dependência funcional. Ele foi o caminho para o desterro e o empobrecimento de sua gente.

A bem da verdade, não há caminhos que levem à “Terra Prometida” porque já estamos nela.  E é essa terra que os brasileiros tentam resgatar e cultivar. Por essa razão, o impeachment de Dilma Rousseff era tão fundamental e necessário.

Por nove meses o Brasil viveu à espera desse dia. Não, a presidente impichada não se condoeu com o sofrimento do seu povo ou com as dificuldades econômicas do seu país. Tentou agarrar-se à terra que ela ajudou a devastar mentindo, plantando a falsa ideia de golpe, semeando a discórdia entre os brasileiros, colhendo farta instabilidade, numa crise moral e de confiança sem precedentes.

Se houve um golpe, esse foi dado por ela própria, ao trair os brasileiros e fazer promessas que nunca pensou em cumprir.

Comparou o seu impeachment com uma árvore que é atacada por fungos. No entanto, árvore frondosa o seu (des)governo nunca foi, quando muito não passou de uma árvore oca por dentro. Fungos talvez, mas esses foram cultivados por ela e pelos seus.

Ao fraudar as contas públicas para “maquiar” os números e causar aos cofres públicos um rombo da monta de meio trilhão de reais, cometeu crime de responsabilidade, contribuindo para o crescimento e desenvolvimento negativo do país, feito uma erva daninha e não feito uma árvore que dá sombra com seus galhos, alimenta com seus frutos e acolhe todos que estão à sua volta.

Ela foi impichada por haver desrespeitado a Lei de Responsabilidade Fiscal. Aliás, desrespeitar e rasgar as leis é o que fazem as ervas daninhas.

Ontem, juntamente com a sua cassação, Dilma Rousseff deveria haver sido inabilitada para ocupar cargos públicos por oito anos.

Mas... contrariando a Constituição Federal, diga-se: a Lei Maior do país, num conchavo alinhavado entre Renan Calheiros (Presidente do Senado), Ricardo Lewandowski (Presidente do Supremo Tribunal Federal) e o PT do Lula, fizeram vista grossa ao texto constitucional, para agraciá-la com a manutenção de seus direitos políticos.

Esse episódio me fez lembrar dos baobás do planeta do “PEQUENO PRÍNCIPE” de Saint-Exupéry.

Com efeito, no planeta do principezinho havia, como em todos os outros planetas, inclusive como há no nosso, ervas boas e más, que germinam de sementes boas e más. Ocorre que, as sementes são invisíveis. Elas dormitam em segredo na terra até que resolvem lançar-se sobre o solo, revelando a sua essência, como o fez ontem o Ministro da mais Alta Corte de Justiça do país, ao rasgar - diante da perplexidade de todos - o parágrafo único do artigo 52 da Constituição do país.

O episódio serve para nos mostrar que ainda há muito por se fazer....

Se à luz do dia Renan Calheiros afronta o seu partido, trai o Presidente empossado Michel Temer e a base aliada do governo, e, Ricardo Lewandowski, que deveria ser o guardião da Constituição, a rasga e interpreta a lei conforme o seu viés político, é estarrecedor pensar o que eles e outros podem fazer na calada da noite.

Isso nos leva de volta ao planeta infestado de baobás do principezinho. A lição a ser assimilada com ele é que, quando se trata de baobás, é preciso arrancá-los logo que se distinguem das roseiras, para impedir que cresçam e proliferem, caso contrário, dificilmente será possível acabar com eles. Eles atravancam o caminho, perfuram o solo com suas raízes até rachá-lo e matar as flores.

É preciso portanto estar atentos. Talvez esse seja o lado bom, aprendizado que fica, a partir do fatiamento da votação no julgamento de ontem. O impeachment da presidente foi apenas um passo importante, mas ainda há muito por se fazer, inclusive quanto às escolhas que serão feitas na próxima eleição. Aliás, o resultado desta (a eleição), será o indicador do Brasil que queremos para nós e as futuras gerações.

“Antes que qualquer árvore seja plantada, é preciso que ela tenha nascido dentro da alma. Quem não planta jardim por dentro, não planta jardins por fora e nem passeia por eles" (Rubem Alves). 

O Processo de Impeachment nasceu da alma de seus autores. Sim, nós vimos, havia alma e intensidade ali.

Para encerrar o registro deste importante capítulo da História política do Brasil, impossível não agradecer ao belo trabalho realizado por JANAÍNA PASCHOAL (diva do impeachment), MIGUEL REALE JÚNIOR e HÉLIO BICUDO. Ao brilhante procurador  do TCU, JÚLIO MARCELO DE OLIVEIRA. E aos senadores ANA AMÉLIA LEMOS, SIMONE TEBET, RONALDO CAIADO, CÁSSIO CUNHA LIMA e ÁLVARO DIAS, que nos mostraram ainda haver vida inteligente no Senado. Orgulho define!!!




“As árvores e plantas buscam adaptar-se ao ambiente em que vivem, estruturando e planejando muito bem, cada energia aplicada em seu crescimento” 



 Shadow/Mariasun Montañés



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