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domingo, 16 de novembro de 2014




15 DE NOVEMBRO, O DIA EM QUE O POVO PROCLAMOU A DEMOCRACIA DO BRASIL NAS RUAS






Há exatos 125 anos, em 15 de novembro de 1889, no Rio de Janeiro, foi proclamada a República Federativa Presidencialista do Brasil, pondo fim à Monarquia e ao Reinado de D. Pedro II, que se tornou Imperador com apenas cinco anos de idade. Naquele dia, foi implantado o governo republicano, a cargo do Marechal Deodoro da Fonseca como Presidente e Chefe do Governo Provisório. 

Desde que era pequena e comecei a estudar a História do Brasil, confesso nutrir grande simpatia por D. Pedro II. Talvez por imaginá-lo tendo uma infância e adolescência solitárias, cercado de intrigas palacianas, conchavos e disputas políticas. Deve ter crescido rápido o pequeno Imperador. Seu pai - D. Pedro I - quando abdicou ao trono, deixou um Reino dividido, e ele, seu filho, conseguiu a proeza de transformá-lo e modernizá-lo. 

Durante todo o reinado de D. Pedro II e forma de Governo, Monarquia Parlamentar Constitucional, o Brasil cresceu, alcançando estabilidade política, crescimento econômico, liberdade de expressão e respeito aos direitos civis. Tudo o que nos falta hoje.  Nesse período, impôs a abolição da escravatura, apesar da poderosa oposição de interesses políticos e econômicos dos grandes proprietários de terras e escravagistas. Além disso, o Imperador - erudito que era - soube cultuar, patrocinar e promover o conhecimento, a cultura e as ciências. Fico a imaginar se não terá sido consequência dos livros terem sido seus companheiros, enquanto crescia na solidão do palácio.

Apesar de ter o apoio do povo, o Imperador que consolidou a soberania do Brasil, foi retirado do poder no auge de sua popularidade. Não resistiu e não apoiou sua recondução ao trono. Talvez estivesse cansado de ser Imperador ou quiçá desiludido com o poder ou quem sabe até para evitar conflitos internos e a divisão do país, decidiu ir para o exílio em Portugal, vivendo os últimos anos de vida, dizem, em clima de melancolia e saudade. Contam alguns historiadores que teria levado com ele um travesseiro contendo terra do Brasil, para à noite poder deitar-se sobre ela. Não sei se isso de fato aconteceu ou é apenas um recurso simbólico, mas essa passagem sempre me emocionou e continua a mexer comigo.

Foi assim que o Império findou sem que ninguém o defendesse ou chorasse. Hoje me pergunto quais teriam sido os rumos da história, caso D. Pedro II tivesse lutado e reassumido o trono...

A República surgiu como uma forma de democratizar o Brasil. Teve início em 1889 e chegou ao século XXI.

A história do período republicano é contada a partir de seus presidentes, golpes, suicídio, crises, impeachment e escândalos. 125 anos depois, é triste reconhecer que a República e a Democracia agonizam.

A luta do Governo petista, hoje, é a de dividir o país regionalmente para lucrar e mascarar a corrupção e a roubalheira que corroem todas esferas do poder e que, no decorrer de doze anos, se tornaram uma voraz instituição do sistema. Não, os atuais governantes não estão interessados em guardar com carinho e saudosismo um travesseiro com terra brasileira, mas em roubar o dinheiro do povo em travesseiros, cuecas, malas, sacos, contas no exterior, sem se importarem com o rombo, desastre ou erosão que possam causar. Sem alarde, implantaram o "Terceiro Reinado" para perpetuar-se no poder, um Poder Absoluto nada moderador, centralizador, opressor das liberdades, pouco confiável, que se alimenta do caos e não reconhece outro poder a não ser o dele.

Não é à toa que o Brasil ao invés de estar nas páginas de economia está nas páginas policiais, sendo alvo de investigações criminais nos Estados Unidos, Holanda e Suíça, países que parecem ter se apiedado do povo brasileiro, e decidiram ajudar, numa demonstração de que, sim, a lei existe para todos. Tio Sam, thanks very very much! Foram tantos os crimes, mas tantos, e tantas as lambanças nestes doze anos de petismo, que é difícil prever os rumos que esta hoje fragilizada República Democrática irá seguir.

Dilma Rousseff se reelegeu graças às urnas eletrônicas e à total falta de transparência destas, e, a uma campanha maldita que nos fez corar de vergonha, o que coloca em xeque a legitimidade e lisura de sua reeleição e futuro governo. Se é verdade que Deus escreve certo por linhas tortas, pensando bem, talvez tenha sido melhor para o Aécio Neves ter sido roubado, digo, ter perdido as eleições. Do jeito que o país está, ele é INGOVERNÁVEL. 
Não, nem tudo está perdido.

Para nossa surpresa, algo ainda funciona por aqui: a Polícia Federal. Que Deus continue a iluminar e proteger esses valentes e retos delegados federais e ao digníssimo juiz Sergio Moro, que já entrou para a história do país ao lado de Joaquim Barbosa! Os agentes federais estão fazendo a sua parte com louvor: investigando, prendendo políticos corruptos e empresários corruptores. Coisa inédita! Claro que muito disso se deve às investigações americanas e às penas e sanções já aplicadas pela Holanda a uma empresa holandesa, por corrupção para a construção de plataformas de petróleo no Brasil. Olha só: um país punindo severamente uma de suas empresas, que atuava de forma criminosa em outro país. Parece ficção, mas não é. É assim que se age em uma Democracia onde as leis existem para serem cumpridas. Isso enche o nosso coração de esperança!

Pois é. Em contrapartida e na contramão da história, há uma gama de jornalistas que se recusam, como diria Reinaldo Azevedo, a “colocar os pingos nos is”. Parecem carecer de conhecimento e cidadania, triste. Esquecem que em um Estado de Direito a informação deve chegar ao povo com isenção, verdade e transparência, sendo eles o principal veículo de divulgação. Florear a notícia para favorecer bandido, seja ele um criminoso comum ou um Presidente da República, não é função de uma imprensa séria, respeitável e compromissada. Dá pena ver que a falta de decência e lisura tenham contaminado também os meios de comunicação.

Como é possível entender que na última quinta-feira a imprensa tenha dado destaque à marcha truculenta e inexpressiva organizada pela CUT e Guilherme Boulos (Movimento dos Trabalhadores sem Teto - MTST), e, esquecidas ou desvirtuadas as manifestações verde-amarelas, legítimas, pacíficas, democráticas, feitas por gente que não pertence a nenhum movimento social, comparece por vontade própria, trabalha, paga impostos e se organiza nas redes sociais??? Sempre é bom que se diga, que atender à convocação da marcha do MTST, é a contraprestação para permanecer inscrito no "movimento", com o propósito de obter uma casa.

Como entender o desdém e o descaso de boa parte da imprensa e principais jornais diante das expressivas e significativas manifestações populares ocorridas ontem, 15 de novembro, espalhadas pelo país??? Foram milhares de brasileiros pedindo o fim da corrupção, apuração de crimes contra o patrimônio público, justiça, punição e impeachment aos envolvidos na derrama de dinheiro do povo para outros países, propinas e para os próprios bolsos. Só em São Paulo, segundo a Polícia Militar, compareceram à Avenida Paulista em torno de 10 mil pessoas. Lugar de bandido é na cadeia, não no comando de um país. Esse foi o recado. 125 anos após a Proclamação da República, o povo foi às ruas PROCLAMAR A DEMOCRACIA DO BRASIL. Foi bonito de se ver.

Como fica a liberdade de imprensa diante dessa censura torta, deliberada e intencional promovida pela própria imprensa? E o que é pior: que trata sem o menor pudor manifestações legítimas e pacíficas, como se golpistas fossem??? Oi???? Confesso que não entendo.

Por muito menos, D. Pedro II pôs seu travesseiro debaixo do braço e exilou-se em Portugal.

O Brasil padece, está entorpecido e sem rumo. O Governo está acéfalo. Aliás, que Governo?




Cada um de nós compõe a sua história
E cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz
E ser feliz



Shadow/Mariasun Montañés



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